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Moody's mantém nota do Brasil, mas alerta para risco fiscal sem ajustes firmes

27 de outubro de 2026
Moody's mantém nota do Brasil, mas alerta para risco fiscal sem ajustes firmes

Destaques

  • •Agência Moody's mantém classificação Ba1 com perspectiva estável para o Brasil, mas aponta riscos fiscais.
  • •Moody's estima que a dívida pública subiu de 72% para 83% do PIB desde a eleição de Lula, e alerta que ajustes graduais podem não ser suficientes.
  • •A agência acompanhará a nova equipe econômica e a apresentação de um plano crível para a consolidação fiscal no médio prazo.

A agência de classificação de risco Moody's Ratings manteve a nota de crédito do Brasil em Ba1, com perspectiva estável, mas alertou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não altera a avaliação se o governo não avançar em um ajuste mais firme das contas públicas.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (23), a agência afirmou que a continuidade da trajetória fiscal atual, com mudanças apenas graduais, corre o risco de prolongar os déficits fiscais elevados, manter os custos de financiamento em patamares altos e ampliar a dívida pública.

Desafios fiscais e o Congresso

A Moody's ressaltou que, sem um compromisso mais forte com a consolidação fiscal, a dificuldade persistente de arcar com os custos da dívida poderá pressionar o perfil de crédito brasileiro ao longo do tempo. A agência estima que a dívida do governo geral subiu de cerca de 72% do Produto Interno Bruto (PIB) na época da eleição de 2022 para aproximadamente 83% do PIB atualmente.

Para estabilizar essa relação, seria necessário um superávit primário — resultado das contas públicas antes do pagamento de juros — de 2% a 3% do PIB. A Moody's calcula que um ajuste dessa magnitude não é possível sem reformas estruturais.

O principal desafio de Lula no quarto mandato, segundo a agência, será estabilizar a trajetória da dívida pública e recuperar a credibilidade da política fiscal brasileira, que se deteriorou nos últimos anos. A tarefa, porém, deverá ser ainda mais difícil diante de um Congresso mais à direita e com maior representação da oposição, o que pode atrasar o ajuste necessário.

Juros altos e estratégia econômica

A Moody's avalia que cortes em gastos sociais e programas previdenciários têm custo político elevado e dificilmente partirão do Congresso, necessitando de propostas do Executivo. Atualmente, a agência enxerga pouca disposição política, tanto no governo quanto no Congresso, para levar essas reformas adiante.

A agência espera que o governo mantenha o atual arcabouço fiscal, com foco no resultado primário e mudanças pequenas e graduais. Lula também deverá buscar a melhora das contas por meio de crescimento econômico, aumento de arrecadação e maior eficiência dos gastos. No entanto, essa estratégia está em desacordo com a postura do Banco Central.

Por isso, a Moody's espera que a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, permaneça mais alta por mais tempo, até que haja passos claros em direção ao ajuste fiscal. Juros elevados por um período prolongado manteriam alta a conta de juros e pesariam sobre o crescimento e os investimentos.

O que pode mudar a avaliação de crédito?

A Moody's afirmou que vai acompanhar a formação da nova equipe econômica e se o governo apresentará um caminho crível para a consolidação fiscal no médio prazo, a começar pelo Orçamento de 2027. Um consenso sobre reformas mais profundas nas despesas, como a redução da vinculação de receitas e da indexação de benefícios ao salário mínimo, seria positivo para o crédito do país.

Por outro lado, a falta de avanços no ajuste fiscal, a dificuldade persistente de arcar com os custos da dívida e um crescimento fraco da economia por um período prolongado seriam negativos para o perfil de crédito brasileiro.

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