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Moody's mantém nota da França, mas alerta para dívida e instabilidade

25 de outubro de 2026

Destaques

  • •Agência Moody's preserva classificação de crédito da França em Aa3, mas mantém perspectiva negativa.
  • •Investidores elevam exigência de retorno em títulos franceses, maior diferencial desde 2011.
  • •França enfrenta desafios fiscais e sociais que podem agravar o peso da dívida pública.

A agência de classificação de risco Moody's manteve a nota de crédito da França em Aa3, evitando um rebaixamento iminente. No entanto, a perspectiva para o país permanece negativa, com a Moody's alertando para a necessidade de um "esforço fiscal significativo e sustentado" para estabilizar a dívida pública francesa, que deve ultrapassar 120% do tamanho da economia no próximo ano.

A decisão da Moody's veio em um momento de crescente turbulência no mercado de títulos da dívida pública francesa. Investidores têm evitado os papéis, elevando as taxas dos títulos de dez anos a mais de 5% pela primeira vez desde 2002 e aumentando o custo de empréstimos para o governo. O diferencial entre os rendimentos dos títulos franceses e alemães de dez anos atingiu o maior patamar desde 2011, dobrando em apenas dois meses.

Finanças públicas sob pressão

As preocupações com as finanças públicas francesas se acumulam há anos, mas a situação se agravou com a alta dos custos de empréstimos globais. A dívida do país cresceu rapidamente, e sem um plano governamental claro para conter o endividamento, a conta de juros tende a aumentar, competindo com outras necessidades orçamentárias, como educação e aposentadorias.

A economia francesa já demonstrava fraqueza, com contração no primeiro trimestre e estagnação no segundo. Espera-se que os recentes protestos e saques prejudiquem ainda mais o crescimento, tornando a gestão da dívida mais desafiadora.

Crise política e social

O cenário é agravado por um impasse político que antecede as eleições presidenciais da próxima primavera europeia. A dificuldade em aprovar um orçamento que reduza o déficit, somada aos protestos contra o alto custo de vida, torna menos provável a adoção de medidas de ajuste fiscal, como cortes de gastos ou aumentos de impostos. Muitas manifestações terminaram em violência.

"O processo orçamentário de 2027 coincide com alguns dos protestos sociais mais extensos que a França vivenciou em muitos anos", observou a Moody's. A agência espera que o governo aprove um novo orçamento, possivelmente por mecanismos que dispensem votação parlamentar convencional, mas ressalta que o próximo governo precisará ser mais firme na redução do déficit.

Perspectivas de longo prazo

A Moody's expressou ceticismo quanto a mudanças substanciais devido às tensões sociais e ao baixo crescimento econômico. "Como resultado, o peso da dívida continuará aumentando ao longo do restante da década", afirmou a agência.

A França entra em "um longo período de incerteza" que se estenderá até o verão do próximo ano, segundo Charlotte de Montpellier, economista do banco ING. O risco de um ciclo vicioso onde as expectativas negativas se confirmam é real, com o baixo crescimento econômico dificultando a administração da dívida e a instabilidade social impedindo ajustes fiscais necessários.

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