Modelo Bukele no Brasil: Especialista aponta 'dificuldades intransponíveis'

Destaques
- •Políticos brasileiros de direita flertam com o 'modelo Bukele' de El Salvador para combater o crime.
- •Especialista Robert Muggah alerta que o modelo, apesar de reduzir homicídios, tem graves consequências para direitos civis.
- •A complexidade e o tamanho do Brasil, com facções como PCC e CV, tornam a replicação do modelo salvadorenho 'muito mais difícil'.
A política de segurança de El Salvador, liderada por Nayib Bukele, virou tema quente na disputa presidencial brasileira. Vários presidenciáveis de direita já sinalizaram que pretendem replicar o chamado "modelo Bukele" no Brasil.
A promessa é de queda drástica nas taxas de homicídios, como visto em El Salvador. No entanto, o cientista político Robert Muggah, especialista em segurança pública, aponta diferenças cruciais que inviabilizam a importação direta.
A principal barreira? A estrutura e o alcance de facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho (CV).
"Prender em massa integrantes do PCC como se fez com a MS-13 é muito mais difícil por causa da distribuição da facção brasileira tanto no mercado doméstico quanto no internacional", explica Muggah.
Além disso, o especialista destaca que o modelo salvadorenho, embora eficaz na redução da violência, trouxe consequências graves para os direitos civis e a democracia, com detenções arbitrárias e enfraquecimento do devido processo legal.
O Brasil, com sua dimensão continental e complexidade institucional, apresenta um desafio ainda maior. A replicabilidade do modelo, segundo Muggah, encontra dificuldades intransponíveis.
