Milei nega recessão na Argentina e ignora 'cicatrizes' sociais

Destaques
- •Presidente argentino Javier Milei minimiza temores de recessão técnica em seu país.
- •Apesar de crescimento do PIB em 2,2%, um terço dos argentinos vive na pobreza e o desemprego é de 8%.
- •Mais de 31 mil empresas fecharam desde o início do governo Milei, afetando principalmente PMEs.
Javier Milei, presidente da Argentina, negou veementemente a possibilidade de uma recessão técnica em seu país, mesmo com sinais de fragilidade econômica. Ele afirmou em Nova York que não vê "nenhum problema" com o crescimento, apesar de o primeiro semestre ter sido marcado por altos e baixos.
Apesar de o PIB ter crescido 2,2% no comparativo anual e a inflação ter caído de 211% para 33,5%, o custo social das políticas de choque é alto. Um em cada três argentinos vive na pobreza, o desemprego gira em torno de 8%, e a renda real da população segue aquém da inflação.
O cenário é de "economia de duas velocidades", com setores como mineração e energia em alta, enquanto comércio e indústria sofrem. Mais de 31.342 empresas fecharam desde dezembro de 2023, afetando principalmente pequenas e médias empresas (PMEs).
Milei, no entanto, classificou como "estúpida" a afirmação de que 80% dos argentinos têm dificuldades para sobreviver e defende que as empresas que não se adaptarem à nova realidade econômica irão à falência.
Enquanto o governo foca na estabilidade macroeconômica e na atração de dólares através de setores exportadores, a realidade para muitos argentinos é de salários em queda, serviços mais caros e dificuldade em competir com importados. A situação promete continuar tensa, especialmente com o aumento de impostos sobre combustíveis e as próximas eleições presidenciais.


