Meta (META) tem balanço positivo, mas ações caem 8% com altos investimentos em IA

Destaques
- •A Meta Platforms (META) superou as expectativas de receita e lucro no 3T26, impulsionada pela publicidade e IA.
- •Investidores reagiram negativamente aos altos gastos com investimentos (capex) e ao fluxo de caixa livre negativo, além do anúncio de nova classe de ações sem direito a voto.
- •A empresa aposta na plataforma de IA 'Muse' como nova fonte de receita a partir de 2027, mas o mercado aguarda o impacto desses investimentos no longo prazo.
A Meta Platforms (META) encerrou o terceiro trimestre de 2026 (3T26) com resultados financeiros acima das expectativas do mercado, impulsionada pela forte demanda publicitária e pelos ganhos de eficiência proporcionados pela inteligência artificial (IA). No entanto, as ações da empresa, liderada por Mark Zuckerberg, registraram fortes perdas, recuando mais de 8% no pregão regular desta quinta-feira (22).
A receita da companhia avançou 26,1% na comparação anual, atingindo US$ 64,6 bilhões, enquanto o lucro por ação ajustado somou US$ 7,40, superando as projeções. O negócio de publicidade continuou sendo o principal motor, com crescimento de 25,9% na receita publicitária, sustentado pelo aumento de impressões e pela valorização dos anúncios, especialmente na América do Norte. Sistemas de recomendação, como os do Instagram, Facebook e Threads, também contribuíram para o aumento do tempo gasto nas plataformas e para o crescimento do inventário publicitário.
Altos investimentos em IA e fluxo de caixa preocupam investidores
Apesar dos números positivos, analistas do Safra apontaram três fatores de atenção. O primeiro foram os gastos crescentes com investimentos (capex), que somaram US$ 34,9 bilhões no trimestre e devem aumentar até o fim do ano. Esse ciclo de investimentos em infraestrutura de IA pode manter a geração de caixa livre da companhia negativa até 2028, como observado no fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,1 bilhões no trimestre.
O segundo ponto de atenção foi justamente o fluxo de caixa livre (FCF) negativo. Analistas projetam que a empresa poderá permanecer com geração de caixa livre negativa até 2028 devido ao forte ciclo de investimentos em infraestrutura de IA. O terceiro fator foi o anúncio do lançamento de uma nova classe de ações sem direito a voto, interpretado como uma preparação para futuras captações de recursos destinadas a financiar a expansão da capacidade computacional.
'Muse' e diversificação de receitas
A Meta também destacou a rápida adoção do Muse, sua plataforma de agentes de inteligência artificial para consumidores. Mais de 10 milhões de usuários configuraram agentes pessoais nas seis primeiras semanas após o lançamento, com aplicações voltadas para comércio eletrônico, produtividade e criação de conteúdo. A administração vê potencial para transformar o Muse em uma nova avenida de receitas a partir de 2027, por meio de assinaturas, taxas sobre transações e serviços corporativos, reforçando a estratégia de diversificação para além do modelo tradicional de anúncios.
A combinação entre o crescimento resiliente da publicidade, os primeiros sinais de monetização da IA e uma postura mais disciplinada na Reality Labs sustenta uma visão positiva para as ações da empresa, segundo analistas do Safra. Contudo, o mercado parece ter reagido mais fortemente aos altos custos e à incerteza sobre o retorno desses investimentos massivos em IA no curto prazo.
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