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Meta é processada por Rhode Island por tolerar publicidade fraudulenta

22 de outubro de 2026
Meta é processada por Rhode Island por tolerar publicidade fraudulenta

Destaques

  • •Rhode Island processa a Meta alegando que a empresa lucra com publicidade fraudulenta em suas plataformas.
  • •O estado cita o uso de ferramentas de IA pela Meta para auxiliar golpistas e o foco em usuários idosos.
  • •A ação judicial busca indenizações, restituição de lucros e uma ordem para que a Meta combata ativamente os anúncios fraudulentos.

O estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, entrou com um processo contra a Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, nesta quinta-feira (22). A ação, movida no Tribunal Superior de Providence pelo Procurador-Geral Peter Neronha, acusa a gigante da tecnologia de tolerar e lucrar com publicidade fraudulenta em suas plataformas.

Segundo a denúncia, a Meta teria lucrado ilegalmente bilhões de dólares com anúncios fraudulentos, mesmo prometendo aos seus usuários que trabalhava para protegê-los. Este é o primeiro processo movido por um estado americano contra a empresa especificamente por golpes desse tipo, após uma ação semelhante em maio pelo Condado de Santa Clara, na Califórnia.

Escala da fraude e uso de IA

O processo cita reportagens que indicam que a Meta exibe cerca de 15 bilhões de anúncios fraudulentos de alto risco diariamente. Documentos internos da empresa sugerem que cerca de 10% de sua receita em 2024 provinha de comércio eletrônico fraudulento, produtos de saúde duvidosos e outros tipos de marketing proibidos. A ação judicial alega que as ferramentas de criação de anúncios com inteligência artificial (IA) da Meta auxiliaram ativamente os golpistas.

Em vez de bloquear anunciantes suspeitos de fraude, a Meta supostamente cobrava deles um valor extra como penalidade. "A Meta ajudou conscientemente a criar e otimizar esses anúncios para garantir que fossem o mais eficazes possível e, em seguida, mentiu sobre eles", afirma o processo.

Alvo em idosos e outros anúncios ilícitos

A investigação de Rhode Island aponta que os anúncios fraudulentos frequentemente visavam pessoas idosas. Uma organização sem fins lucrativos identificou quase 94.000 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta, com alguns anunciantes gastando mais em publicidade na empresa do que grandes marcas como Walmart ou Pfizer.

Além de golpes, o estado alega que a Meta falha em fiscalizar outros anúncios ilícitos, como os de aplicativos de IA para pornografia deepfake e anúncios que se passam por figuras públicas e instituições financeiras para atrair usuários a negociações fraudulentas.

Busca por reparação e histórico da Meta

O processo de Rhode Island busca indenizações civis monetárias por violações da lei estadual, restituição aos consumidores, devolução de lucros ilícitos e uma ordem judicial para que a Meta lide com os anúncios fraudulentos em vez de lucrar com eles. O Procurador-Geral Peter Neronha declarou que o escritório fará tudo ao seu alcance para responsabilizar empresas que se aproveitam dos consumidores.

A Meta contestou reportagens anteriores sobre o tema, com o porta-voz Andy Stone classificando-as como uma "visão seletiva que distorce a abordagem da Meta em relação a fraudes e golpes". A empresa afirmou ter feito progressos no combate a golpes, mas Rhode Island sustenta que eles continuam desenfreados.

Este caso surge em um contexto de escrutínio legal para a Meta. Recentemente, um juiz do Novo México ordenou que a empresa pagasse US$ 25 bilhões (R$ 125,7 bilhões) após um júri concluir que a companhia enganou consumidores sobre privacidade de dados, em um processo originado do escândalo da Cambridge Analytica. Outro veredicto no Novo México, em março, resultou em multas de US$ 375 milhões (R$ 1,89 bilhão) por enganar usuários sobre a segurança de crianças e adolescentes nas plataformas.

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