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Meta é investigada por interferência em eleições no Brasil e nos EUA

02 de novembro de 2026
Meta é investigada por interferência em eleições no Brasil e nos EUA

Destaques

  • •Meta é acusada de falhas técnicas e favorecimento em campanhas eleitorais no Brasil.
  • •O escândalo da Cambridge Analytica, que usou dados do Facebook para influenciar eleições, é relembrado.
  • •O STF ampliou a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos de usuários.

A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, enfrenta investigações e questionamentos sobre sua atuação em processos eleitorais, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa foi alvo de diversas denúncias e questionamentos por parte de políticos e órgãos de justiça, que apontam para falhas técnicas e possíveis favorecimentos em campanhas. A polêmica se intensificou com a proximidade das eleições, levantando debates sobre a neutralidade das plataformas digitais.

Entre os episódios mais controversos estão a remoção de vídeos críticos ao então candidato Flávio Bolsonaro, incluindo uma publicação do cantor MC Cabelinho, que a empresa justificou como possível uso de inteligência artificial. Outras alegações incluem a recomendação de canais ligados a Flávio Bolsonaro em buscas relacionadas a Lula no WhatsApp e Instagram, além de testes que indicavam que a Meta AI gerava imagens de propaganda para "Flávio 22", mas recusava solicitações com "Lula 13". A campanha de Lula também relatou dificuldades em impulsionar publicações no Instagram.

O caso Cambridge Analytica e o uso de dados

Os recentes acontecimentos no Brasil e nos EUA remetem ao escândalo da Cambridge Analytica (CA), empresa que, entre 2008 e 2014, utilizou dados de milhões de usuários do Facebook para criar perfis psicológicos e influenciar eleições. O pesquisador Michal Kosinski, da Universidade de Cambridge, desenvolveu algoritmos que, a partir de curtidas no Facebook, podiam prever com precisão a personalidade e as opiniões políticas dos usuários. Essa tecnologia foi explorada pela CA, que, segundo o ex-cientista de dados Christopher Wylie, criou uma "máquina completa de propaganda" para disseminar desinformação e direcionar mensagens personalizadas a eleitores "persuasíveis".

A empresa coletou secretamente dados de até 87 milhões de perfis, explorando a rede de amigos de usuários que participaram de quizzes. Wylie relatou que a estratégia envolvia a criação de uma "realidade na medida certa para alguém", direcionando-os a teorias conspiratórias e notícias falsas, diferentemente de abordagens de campanha tradicionais. O ex-diretor executivo da CA, Alexander Nix, afirmou que a tecnologia podia prever a personalidade de cada adulto nos EUA com base em milhares de pontos de medição, influenciando diretamente o comportamento de voto.

O que diz a Meta e o posicionamento no Brasil

Em comunicado, a Meta negou qualquer favorecimento político nas eleições brasileiras, atribuindo os episódios a falhas técnicas e afirmando que seus sistemas foram corrigidos e suas regras aplicadas igualmente a todas as candidaturas. No entanto, parlamentares dos EUA também cobraram Mark Zuckerberg por atuações nas eleições americanas, e a ONU solicitou explicações sobre possíveis restrições políticas nas eleições brasileiras. O PT chegou a denunciar a Meta à OEA por suposta interferência.

No Brasil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) processou a Meta em R$ 50 milhões por assédio eleitoral nas redes sociais, e o Ministério Público Federal (MPF) investiga as redes sociais por bloqueios de conteúdo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também cobrou a Meta sobre o tratamento dado a Lula e Flávio Bolsonaro.

Próximos passos e o cenário regulatório

Em janeiro de 2025, Mark Zuckerberg declarou que trabalharia com Donald Trump "para resistir a governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando por mais censura", citando a Europa e "tribunais da América Latina". Essa fala ocorreu em um contexto de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliaram as hipóteses de responsabilização das plataformas digitais por publicações de usuários consideradas criminosas ou ofensivas. Em junho de 2025, o STF alterou pontos do Marco Civil da Internet, aumentando a responsabilidade das empresas.

Zuckerberg também anunciou o fim da parceria com checadores de fatos, alegando que eram "muito enviesados". A Meta passará a depender dos usuários para incluir correções em postagens com informações falsas ou enganosas, um modelo similar ao adotado pelo X (antigo Twitter) de Elon Musk. A mudança de posicionamento da Meta, que parece acompanhar uma ideologia clara de interesses comerciais e políticos, levanta preocupações sobre o futuro do debate público e a influência das big techs na política.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Revista Direito em Debate em 2020, intitulado "CAMBRIDGE ANALYTICA: ESCÂNDALO, LEGADO E POSSÍVEIS FUTUROS PARA A DEMOCRACIA", analisa o caso da empresa Cambridge Analytica. A pesquisa detalha as causas do escândalo, seu legado e as possibilidades futuras para a empresa, abordando os erros que levaram à perda de reputação. O artigo também discute a possibilidade de ocorrências semelhantes em outros setores, ressaltando a necessidade de ações preventivas. O estudo finaliza com observações sobre Fake News e Deep Fake, destacando a importância do conhecimento desses termos para a promoção da escolha consciente e a manutenção do Estado Democrático de Direito, especialmente em períodos eleitorais. A metodologia utilizada foi descritiva, com abordagem qualitativa e transdisciplinar, empregando técnica bibliográfico-documental.

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