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Mercado imobiliário do interior de SP se valoriza e atrai moradores da capital

22 de outubro de 2026
Mercado imobiliário do interior de SP se valoriza e atrai moradores da capital

Destaques

  • •O interior de São Paulo registrou valorização expressiva no preço do metro quadrado, atraindo moradores da capital em busca de qualidade de vida e trabalho híbrido.
  • •Campinas liderou a valorização com 11,2% em cinco anos, seguida por São José dos Campos (9,6%) e Ribeirão Preto (5,9%), superando a capital paulista em alguns casos.
  • •O setor de galpões logísticos também apresenta forte demanda, impulsionada pelo e-commerce, com vacância em mínimas históricas e projeções positivas, apesar da oferta futura.

O mercado imobiliário do interior de São Paulo tem passado por uma transformação significativa desde o início da pandemia, com um fluxo de pessoas saindo da capital em busca de maior qualidade de vida e flexibilidade de trabalho. Esse movimento, que se intensificou com as flexibilizações do regime de trabalho e a popularização do home office, redesenhou não apenas as decisões pessoais e familiares, mas também impactou o mercado de trabalho e o setor imobiliário em cidades como Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto.

A valorização do metro quadrado nessas regiões tem sido notável. Campinas registrou a maior apreciação em cinco anos, com 11,2%, atingindo R$ 8,18 mil ao fim de setembro de 2026, segundo dados da FipeZAP. São José dos Campos seguiu com alta de 9,6% (R$ 9,66 mil), enquanto a capital paulista teve um aumento de 3,6% (R$ 12,2 mil) no mesmo período. Ribeirão Preto avançou 5,9%. Essa dinâmica de preços mais aquecida, com valorizações percentuais em alguns casos superiores à da capital e à média nacional, indica uma forte demanda e um mercado em ascensão.

Grupos de compradores e o impacto no trabalho

A demanda heterogênea que migrou para o interior pode ser dividida em três grupos principais, segundo Robson Gonçalves, economista da FGV. Há famílias buscando casas de campo para escapadas, aquelas que adotaram o segundo imóvel com o trabalho híbrido, e as que mudaram a residência principal, vendendo imóveis na capital para se estabelecerem no interior. Esse último grupo, em particular, influenciou empresas a repensarem suas estratégias de recrutamento.

Carlos Cêra, da Superlógica, relatou que a empresa abriu um escritório em São Paulo para atrair talentos, mas descobriu um nicho de profissionais qualificados que haviam se mudado para Campinas e não ficavam mais na capital. Esses executivos, muitas vezes, aceitam salários menores em troca de melhor qualidade de vida, o que tem sido uma vantagem para a contratação de mão de obra qualificada.

Valorização e o futuro do mercado

O movimento de volta ao trabalho presencial, que ganhou força em 2024 e 2025, reverteu parte da fuga da capital, mas não apagou o impacto. O mercado de lajes corporativas na capital paulista se aqueceu, com escassez de metragem para grandes escritórios. No interior, cidades como Jundiaí atraíram público cativo pela facilidade de deslocamento esporádico para São Paulo.

Em regiões como Ribeirão Preto, o boom de imóveis horizontais em condomínios fechados foi abrupto. Terrenos valorizaram de sete a oito vezes desde o pós-pandemia, e casas prontas entre quatro e cinco vezes. Lotes que custavam R$ 400/m² em 2019 hoje superam R$ 4 mil/m², e casas de R$ 2-3 milhões passaram a ser negociadas por R$ 8-9 milhões, tornando a construção de uma nova casa mais cara do que a compra de uma pronta.

Setor logístico em alta

Paralelamente, o setor de galpões logísticos demonstra forte resiliência e crescimento. O Itaú BBA manteve recomendação de compra para seis fundos imobiliários do segmento, citando a demanda aquecida e a baixa taxa de desocupação. A vacância física consolidada ficou em 3,1% no terceiro trimestre de 2026, mínima histórica, com absorção líquida superando a entrega de novos empreendimentos.

O crescimento do e-commerce, com players como Mercado Livre, Shopee e Amazon expandindo suas operações, é o principal motor dessa demanda. No entanto, o banco alerta para o volume de novas entregas previstas, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, que pode pressionar a vacância. A atenção também se volta para Extrema (MG), onde a reforma tributária pode impactar a atratividade da região a longo prazo.

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