Mercado de ETFs no Brasil: recorde de lançamentos e novas estratégias

Destaques
- •O mercado brasileiro de ETFs (fundos de índice) caminha para um novo recorde de lançamentos em 2026, com 57 fundos já lançados e outros 10 em fase pré-operacional.
- •Gestoras apostam em ETFs de gestão ativa e renda fixa para atrair investidores, com a regulamentação para ETFs ativos locais ainda em discussão na CVM.
- •O patrimônio em ETFs no Brasil saltou de R$ 50 bilhões no fim de 2024 para R$ 146 bilhões em 2026, mas ainda representa pouco mais de 1% da indústria nacional de fundos.
O mercado brasileiro de ETFs (Exchange Traded Funds), fundos de índice negociados em bolsa, está em expansão acelerada e caminha para um novo recorde de lançamentos em 2026. Segundo levantamento da Quantum Finance, já foram lançados 57 fundos em 2026, com outros 10 em fase pré-operacional. Em 2025, foram lançados 62 produtos na B3. Essa multiplicação de fundos reflete a busca das gestoras por diferentes caminhos para conquistar o investidor, explorando novas estratégias e segmentos.
ETFs de Gestão Ativa e a Regulamentação
Uma das frentes promissoras é a dos ETFs de gestão ativa, que ainda dependem de regulamentação para serem estruturados no Brasil. A Franklin Templeton, com US$ 84 bilhões em ETFs globalmente, planeja lançar esses produtos assim que a regulamentação estiver mais clara. Atualmente, a gestora atua no Brasil através de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de ETFs, que representam cotas de fundos listados no exterior. Em setembro, a Franklin lançou cinco BDRs de ETFs com exposição a mercados como EUA, Índia e Taiwan, além de criptomoedas como Bitcoin e Ether.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está discutindo a regulamentação para ETFs ativos locais. A expectativa era realizar uma consulta pública em 2026 e publicar a regra em 2027. No entanto, os BDRs já abriram uma porta para a gestão ativa. O J.P. Morgan obteve autorização específica e lançou o JEPI39, o primeiro BDR de ETF de gestão ativa na bolsa brasileira, com planos de ter ao menos dez produtos do tipo no país até o fim do ano.
Aposta na Renda Fixa
Outro caminho cada vez mais explorado pelas gestoras é o segmento de renda fixa, que já responde por mais da metade dos lançamentos de ETFs em 2026. A estratégia abrange desde títulos públicos e crédito privado até fundos onde o gestor escolhe os ativos para superar um índice de referência. A XP Asset, por exemplo, lançou 11 ETFs em 2026, sendo sete deles de renda fixa, e planeja expandir com ETFs de crédito privado.
A gestora Nu Asset lançou quatro ETFs em 2026, todos de renda fixa, e a Grão Gestora colocou dois produtos no mercado, também nesse segmento. A BlackRock, maior gestora de ETFs do mundo, se prepara para lançar seus primeiros ETFs de renda fixa no Brasil ainda este ano. Essa escolha pela renda fixa aproxima a oferta do perfil do investidor brasileiro, que historicamente tem maior afinidade com essa classe de ativos.
Crescimento e Desafios do Mercado
O patrimônio dos ETFs no Brasil mais que dobrou, passando de cerca de R$ 50 bilhões no fim de 2024 para R$ 146 bilhões em 2026, segundo dados da B3. Apesar do crescimento, o segmento representa pouco mais de 1% do patrimônio total da indústria nacional de fundos. As gestoras ambicionam que o mercado atinja a casa do trilhão de reais, mas transformar esse potencial em negócio exige mais do que lançar produtos.
Como os ETFs tendem a cobrar taxas de administração menores que os fundos tradicionais, as gestoras precisam reunir grandes volumes de recursos para gerar receitas relevantes. A capacidade de distribuição se torna crucial. Na BTG Pactual Asset, sete lançamentos em 2026 elevaram a oferta a 32 ETFs, com patrimônio de quase R$ 24 bilhões nessa frente. A mudança na remuneração da assessoria, com maior transparência exigida pela CVM desde novembro de 2024, também favorece os ETFs, que tinham menos apelo no modelo tradicional de comissões.
Matérias originais
- A nova frente de disputa entre as gestoras: a liderança nos ETFs · neofeed.com.br



