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Mercado de empréstimos com garantia de ativos movimenta US$ 5,4 trilhões

30 de outubro de 2026
Mercado de empréstimos com garantia de ativos movimenta US$ 5,4 trilhões

Destaques

  • •O volume global de empréstimos lastreados em ações e outros títulos atingiu US$ 5,4 trilhões, com crescimento médio anual de 12% na última década.
  • •Instituições financeiras expandem oferta para clientes de alta renda e investidores de varejo, atraídas pela alta lucratividade e baixo risco.
  • •Reguladores alertam para riscos de venda forçada de ativos e consequências tributárias, enquanto bancos buscam expandir o acesso a esse produto.

O mercado global de empréstimos garantidos por ativos financeiros, como ações e títulos de dívida, movimenta cerca de US$ 5,4 trilhões, segundo pesquisa da Deloitte analisada pelo The Wall Street Journal. Essa modalidade, conhecida como Lombard loans na Europa e Ásia, tem apresentado um crescimento médio anual de 12% na última década e se torna cada vez mais acessível a um público mais amplo, não se restringindo apenas a indivíduos com patrimônio extremamente elevado.

A estratégia de "compre, tome empréstimos e morra" tem sido um mantra para os mais ricos, que utilizam seus ativos como garantia para obter liquidez sem precisar vendê-los, permitindo a aquisição de novos bens como mansões e iates. Bancos e instituições de crédito veem nesse mercado uma fonte significativa de lucro, pois as tarifas cobradas são contabilizadas como lucro puro, com perdas raras e a possibilidade de rápida venda dos ativos dados em garantia.

Um mercado em expansão e cada vez mais acessível

A Deloitte estima que o volume total de empréstimos garantidos por títulos financeiros, incluindo fundos de investimento e criptomoedas, chegue a US$ 5,4 trilhões. O montante efetivamente emprestado, no entanto, pode ser menor, estimado em cerca de US$ 1,6 trilhão, pois os clientes nem sempre utilizam integralmente os limites de crédito disponíveis. O relatório da Deloitte abrange também empréstimos com margem (margin lending), que visam ampliar investimentos com menos capital próprio.

Historicamente um produto de gestão de patrimônio para os ultra-ricos, o mercado agora se expande para clientes de alta renda e até investidores de varejo. Segundo Eric Gutzwiller, responsável pela área de crédito da Deloitte na Suíça, a acessibilidade tem aumentado significativamente.

Os Estados Unidos concentram cerca de 30% desse mercado, seguidos pela Suíça e Liechtenstein, que juntos representam aproximadamente 12%. A pesquisa da Deloitte, iniciada em 2022, surgiu da necessidade de bancos compararem suas operações de gestão de risco.

Lucratividade e baixo risco para instituições financeiras

A agilidade é uma das principais vantagens desse tipo de empréstimo. Geralmente, não é necessária uma análise aprofundada do histórico de crédito pessoal, pois os ativos já estão sob a custódia da instituição financeira. As condições de preço são padronizadas e calculadas rapidamente com base no valor de mercado e liquidez dos ativos oferecidos como garantia.

Em média, os empréstimos correspondem a cerca de 50% do valor dos ativos dados em garantia, com taxas cobradas aproximadamente 1 ponto percentual acima das taxas de referência. Para empresas especializadas em gestão de patrimônio, esses empréstimos podem representar de 25% a 30% do lucro anual.

Alguns bancos estão se especializando em ativos menos convencionais, como criptomoedas, concedendo empréstimos equivalentes a até 90% do valor desses ativos. No entanto, os credores não assumem riscos sem avaliação, pois "quando chega a hora de liquidar os ativos, eles não têm a menor piedade. Fazem isso imediatamente", afirma Gutzwiller.

Acessibilidade crescente e alertas de reguladores

Grandes corretoras de investimentos, como a Charles Schwab, têm expandido seus produtos de crédito garantido por ativos. A Schwab informou um aumento de 35% nos saldos de empréstimos bancários, atingindo US$ 72,3 bilhões no terceiro trimestre, após lançar um processo totalmente digital para aprovação de empréstimos em minutos.

Instituições como o Monument Bank planejam oferecer empréstimos garantidos por carteiras de investimentos no início do próximo ano, com o objetivo de permitir que investidores com algumas centenas de milhares de dólares adotem "a mentalidade de um bilionário" e tornem o produto "disponível para praticamente todo mundo".

Apesar da expansão e acessibilidade, reguladores do mercado de valores mobiliários alertam os clientes sobre o risco de venda forçada de ativos em momentos de queda do mercado e sobre as possíveis consequências tributárias. O crescimento desse mercado é impulsionado por clientes mais ricos, com cerca de 45% das linhas de crédito concedidas a clientes com valor superior a US$ 2,5 milhões.

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