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Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré é revitalizado no Rio

05 de novembro de 2026
Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré é revitalizado no Rio

Destaques

  • •O Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, no Rio de Janeiro, foi revitalizado e reinaugurado, ampliando o número de homenageados.
  • •A instalação artística, que conta com 145 azulejos com nomes de vítimas, busca promover a memória, o direito ao luto e a mobilização comunitária.
  • •Um seminário sobre memória, justiça e reparação para vítimas da violência armada também ocorre na comunidade.

O Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré, localizado no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro, foi reinaugurado nesta quinta-feira (5) após passar por um processo de revitalização. A instalação artística, que homenageia pessoas que perderam suas vidas em confrontos armados na região, agora conta com 145 azulejos, um aumento em relação aos 127 nomes registrados em sua inauguração em 2022. A iniciativa busca dar visibilidade às vítimas e promover o direito ao luto e à memória.

A revitalização incluiu a restauração dos azulejos, a melhoria dos jardins, a instalação de bancos e de um velário. Foram adicionados 18 novos azulejos, totalizando 145 homenagens. A escolha do local para o memorial, também conhecido como Praça da Paz, é emblemática, situando-se em uma área limítrofe entre as comunidades Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, ambas sob influência de facções criminosas rivais. Essa localização simboliza a luta e a resistência dos moradores frente à violência.

Um marco de memória e resistência

A instalação, concebida pela artista Laura Taves e executada com azulejos azuis e brancos, é um projeto que vai além da intervenção urbana. Segundo a pesquisadora Tainá Alvarenga, da organização não governamental Redes da Maré, o memorial é fruto da mobilização comunitária e familiar. "Quem também pinta os azulejos são familiares de vítimas", explica Alvarenga. A iniciativa trabalha a ideia de intervenção urbana e mobilização comunitária, permitindo que as famílias expressem a memória e reivindiquem o direito ao luto.

A Redes da Maré aponta que, na última década, dezenas de moradores do Complexo da Maré foram vítimas de confrontos armados. Um levantamento da ONG indica que apenas as operações policiais resultaram em 160 mortos entre 2016 e 2025. O memorial surge como um espaço para lembrar essas vidas perdidas e para dar voz às famílias enlutadas, em um território marcado pela violência, mas também pela forte resistência de seus habitantes.

Seminário busca justiça e reparação

Paralelamente à reinauguração do memorial, o Complexo da Maré sedia, entre esta quinta-feira (5) e o próximo sábado (7), um seminário focado na construção de caminhos para a memória, justiça e reparação de vítimas da violência armada e seus familiares. O evento visa discutir a importância da memória e do direito ao luto, tanto para as vítimas de confrontos entre grupos criminosos quanto para aquelas atingidas por operações policiais.

A pesquisadora Tainá Alvarenga ressalta o objetivo do seminário: "A gente quer muito, com o seminário, marcar essa ideia da memória e do direito ao luto das famílias de pessoas que foram vítimas dos confrontos armados entre os grupos [criminosos rivais], mas também das operações policiais." O evento busca dar visibilidade a essas questões no território e fortalecer a reivindicação por melhorias na segurança pública, promovendo um diálogo sobre justiça e reparação.

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