Marisa testa jornada de 40 horas semanais com potencial de aumento de custos

Destaques
- •Marisa testa jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco lojas, com potencial de aumento de custos entre 5% e 10%.
- •A varejista busca compensar o impacto com ganhos de engajamento, redução de absenteísmo e melhoria da eficiência operacional.
- •A empresa planeja estabilizar suas operações em 2025 e focar em rentabilidade em 2026, sem planos de expansão de lojas.
A rede de moda Marisa, com 206 lojas, iniciou testes com a adoção da escala de trabalho 5x2, que reduz a jornada semanal de 44 ou 42 horas para 40 horas. Segundo o presidente da companhia, Edson Garcia, essa mudança pode elevar os custos entre 5% e 10%. No entanto, os testes preliminares em cinco unidades indicaram que parte desse impacto pode ser compensada por ganhos de engajamento dos funcionários, redução do absenteísmo e oportunidades de melhorar a eficiência das lojas.
A iniciativa ocorre em um momento crucial para a Marisa, que, após uma reestruturação iniciada em 2023, começa a apresentar resultados operacionais positivos, mas ainda busca transformar essa recuperação em lucro líquido. No segundo trimestre, o Ebitda (métrica de geração de caixa operacional) pré-IFRS 16 cresceu quase 90%, para R$ 36,1 milhões, com margem avançando de 4,8% para 9,3%. Apesar disso, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 68,4 milhões, pressionada por despesas financeiras, com dívida líquida de R$ 394,8 milhões.
Desafios e Oportunidades da Nova Jornada
A discussão sobre a jornada de trabalho se insere em um desafio maior da Marisa: como tornar a operação mais produtiva sem comprometer os ganhos de margem conquistados. Garcia avalia que a resposta não está necessariamente em contratar mais funcionários, mas sim em reorganizar equipes, revisar horários e buscar maior produtividade. Uma jornada mais curta, segundo ele, pode contribuir para o engajamento dos trabalhadores.
A companhia também explora o uso de tecnologia para otimizar processos, incluindo ferramentas de inteligência artificial, mudanças nos horários de funcionamento e soluções de autoatendimento. O objetivo é reduzir atividades operacionais e direcionar mais tempo dos funcionários ao atendimento das clientes, focando em melhorar a experiência de compra.
Reestruturação e Recuperação Operacional
A busca por eficiência na Marisa é um processo contínuo desde que Edson Garcia assumiu o comando em março de 2024. A empresa fechou lojas deficitárias, reduziu a estrutura administrativa e renegociou contratos para recuperar a capacidade de gerar caixa. Um ponto crítico foi a reconstrução do relacionamento com fornecedores, que havia sido abalado pela situação financeira da empresa.
Entre 2024 e 2025, a Marisa ampliou sua base para mais de 100 novos fornecedores, totalizando mais de 200 parceiros atualmente. Essa recuperação de confiança permitiu negociar condições comerciais mais favoráveis. A estratégia também incluiu a revisão de coleções e preços, com foco renovado na mulher da classe C, combinando peças acessíveis com produtos de maior valor agregado.
Estratégia de Rentabilidade e Expansão Futura
Os resultados dessa reestruturação começam a aparecer: em 2025, a quantidade de peças vendidas cresceu 16,6%, e a margem bruta avançou de 49,1% para 53%. As vendas em mesmas lojas cresceram 3,2% no segundo trimestre deste ano, e a base de clientes recorrentes aumentou 4,5%. Garcia divide a transformação em etapas: 2024 para reestruturação, 2025 para estabilização e 2026 para rentabilidade.
A próxima fase da estratégia não prevê expansão acelerada da rede; a Marisa não planeja abrir lojas em 2026 nem em 2027. O foco será aumentar as vendas e a rentabilidade das unidades existentes, vendendo mais por metro quadrado. Isso inclui reforçar a moda infantil, que já representa 15% da receita líquida, e explorar o potencial das lojas de rua. A empresa também investe em tecnologia e planeja um reposicionamento de marca para 2027, buscando torná-la mais atual sem abandonar sua identidade popular.



