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Mães cobram justiça e denunciam seletividade policial em ato por vítimas da Operação Contenção

28 de outubro de 2026
Mães cobram justiça e denunciam seletividade policial em ato por vítimas da Operação Contenção

Destaques

  • •Um ano após a Operação Contenção, que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro, mães e ativistas denunciam a falta de respostas e a seletividade da polícia.
  • •Human Rights Watch aponta graves desvios de conduta policial, incluindo manipulação de câmeras corporais e padrões de tiros que sugerem execuções.
  • •A investigação criminal e a atuação do Ministério Público Estadual são cobradas, enquanto a comunidade clama por serviços públicos e projetos sociais em vez de operações violentas.

Um ano após a Operação Contenção, a mais letal da história do Rio de Janeiro com 122 mortos em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, familiares e movimentos sociais realizaram um ato na Vila Cruzeiro, na Penha, para cobrar justiça e denunciar a violência policial. A confeiteira Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, de 20 anos, foi uma das vozes que mais se destacou, relatando a tentativa frustrada de negociar a rendição do filho e a descoberta de seu corpo coberto por insetos.

Em seu discurso emocionado, Tauã Brito criticou a naturalização da violência e a disparidade no tratamento dos direitos humanos, afirmando que "a polícia mata por causa do CEP". Ela contrastou a operação com a apreensão de 240 armas na Barra da Tijuca em maio de 2025, onde ninguém foi morto, para ilustrar a seletividade policial. "Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder", declarou, cobrando que a lei seja aplicada a todos, mas sem execuções.

Falhas na investigação e desvios de conduta policial

A Human Rights Watch divulgou uma nota denunciando evidências de desvio de conduta na operação, incluindo a manipulação de câmeras corporais dos agentes. A organização internacional apontou que 40% das vítimas foram atingidas na cabeça, 60% baleadas quatro vezes ou mais, e 75% receberam tiros nas costas, sugerindo mortes intencionais. Nenhuma das mortes foi filmada pelos policiais, levantando suspeitas sobre a cobertura dos fatos.

As mães relataram falta de acesso aos laudos periciais e aos depoimentos prestados aos investigadores após a tragédia. Tauã Brito expressou desconfiança em relação ao Ministério Público Estadual (MPRJ), questionando sua investigação sobre a participação no planejamento da operação. O MPRJ informou que acompanha as necropsias e analisa laudos e imagens das câmeras corporais.

Cobrança por respostas e alternativas à violência

Outras mães presentes no ato reforçaram o clamor por justiça. Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, declarou: "Nosso coração está despedaçado por falta de respostas, a Justiça está para prender e não matar, né?". Ana Paula Muniz, mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, que enterrou o filho um dia antes do aniversário dele, também rejeitou a execução como resposta à criminalidade e aguarda um laudo pericial que esclareça os fatos.

Jovens ativistas e moradores da comunidade também cobraram ações do Estado que vão além de operações policiais. Eles denunciaram que a rotina na favela em relação ao crime não mudou e pediram o fortalecimento de serviços públicos e projetos sociais. "Temos sonhos aqui dentro, existe vida e esperança", afirmou Natan da Silva, que também pediu uma mudança na postura violenta da polícia com a juventude negra da periferia. Moradores relataram o medo constante e o trauma deixado pelas cenas chocantes da retirada dos corpos.

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