JPMorgan mantém Brasil entre favoritos em mercados emergentes

Destaques
- •JPMorgan destaca resiliência de empresas em mercados emergentes, com crescimento de 57% no lucro líquido e 33% em receitas no 3º trimestre.
- •Apesar de desafios macroeconômicos no Brasil, o banco mantém o país entre os favoritos, citando resultados corporativos resistentes e setores como energia e indústria.
- •O banco projeta revisões de lucro positivas para mercados emergentes em 2027, com foco em Índia, Coreia do Sul e Taiwan, e vê potencial de entrada de recursos internacionais no Brasil.
A temporada de resultados do terceiro trimestre tem reforçado a resiliência das empresas em mercados emergentes, mesmo diante de incertezas macroeconômicas globais e da recente correção de ações ligadas à inteligência artificial. Em relatório global, o JPMorgan afirma que os balanços seguem sustentando as perspectivas para as bolsas emergentes e mantém exposição acima da média em países como Brasil, China, Coreia do Sul, Taiwan, África do Sul, Grécia, Peru e Malásia.
O levantamento, que reúne companhias do índice MSCI Emerging Markets, aponta que 71% das empresas já divulgaram seus resultados, registrando um crescimento de 57% no lucro líquido na comparação anual. As receitas avançaram 33% e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 49%, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia na Ásia.
Resultados corporativos e IA
Apesar da forte correção recente das ações ligadas à inteligência artificial, o JPMorgan avalia que as principais fabricantes de semicondutores continuam apresentando fundamentos sólidos. Empresas como Samsung Electronics, SK Hynix e TSMC reportaram resultados acima do esperado e reforçaram perspectivas favoráveis para a demanda de IA até pelo menos 2028.
O banco também considera que a conclusão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pode funcionar como um catalisador para as bolsas emergentes, ao reduzir parte da incerteza política global. Os mercados emergentes continuam negociando em níveis historicamente descontados e seguem relativamente pouco posicionados nas carteiras internacionais.
Cenário brasileiro em destaque
No caso do Brasil, o banco vê um cenário mais desafiador do ponto de vista macroeconômico, mas destaca a resistência dos resultados corporativos. Até o momento, as empresas brasileiras que divulgaram balanços registram crescimento médio de 7% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, com uma proporção maior de resultados acima das expectativas do que abaixo.
O principal suporte ao mercado brasileiro tem vindo do setor de energia. O JPMorgan cita especificamente a PRIO (PRIO3) e a Vibra (VBBR3) como destaques positivos da temporada. Em contrapartida, o desempenho do segmento de materiais continua sendo pressionado pela Vale (VALE3), embora a mineradora tenha entregado Ebitda ligeiramente superior ao esperado pelo banco e pelo consenso do mercado, com destaque para o desempenho da divisão de cobre.
Setores industriais e financeiros brasileiros vêm registrando crescimento anual dos lucros. Ainda assim, os estrategistas alertam que investidores seguem atentos à desaceleração do crédito e à possibilidade de pressão sobre as margens financeiras dos bancos diante de uma carteira mais conservadora.
Perspectivas para 2027 e América Latina
Para 2027, o JPMorgan afirma que as revisões de lucro continuam positivas nos mercados emergentes, embora em ritmo mais moderado do que nos meses anteriores. O banco observa melhora das estimativas especialmente na Índia, enquanto Coreia do Sul e Taiwan seguem liderando os aumentos nas projeções de resultados corporativos.
Na estratégia regional, o Brasil permanece entre os mercados favoritos da estratégia global de emergentes do banco, ao lado de China, Coreia do Sul e Taiwan. A instituição argumenta que o mercado brasileiro combina avaliações descontadas, potencial de entrada de recursos internacionais e crescimento ainda positivo dos lucros, embora reconheça que o ambiente de juros elevados e incertezas domésticas limita um potencial mais expressivo de valorização no curto prazo.
Na América Latina, o México apareceu como um dos destaques da temporada de balanços, com empresas mexicanas entregando crescimento de 28% no lucro líquido na comparação anual, impulsionadas principalmente pelos setores de mineração, petroquímica e construção.



