Japão lança missão MMX para coletar amostras das luas de Marte

Destaques
- •A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) lançou a missão MMX para estudar Fobos e Deimos.
- •A sonda coletará amostras das luas e as trará de volta à Terra, com retorno previsto para 2031.
- •A missão busca desvendar a origem das luas marcianas e pode trazer as primeiras amostras físicas de Marte.
A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) lançou, na tarde desta segunda-feira (19), a missão Martian Moons eXploration (MMX). O objetivo principal é desvendar a origem das duas luas de Marte, Fobos e Deimos, e coletar amostras desses corpos celestes para trazê-las de volta à Terra. A sonda tem previsão de chegar ao planeta vermelho em agosto de 2027.
Fobos e Deimos são corpos celestes que intrigam cientistas há muito tempo. Seu tamanho pequeno, formato irregular e a incerteza sobre sua origem e tempo de existência as tornam ainda mais misteriosas que a Lua da Terra. Missões anteriores já registraram imagens e observaram eclipses causados por Fobos, mas a questão de como surgiram permanece em aberto.
Duas hipóteses para a origem das luas
Atualmente, a ciência considera duas teorias principais para explicar a formação de Fobos e Deimos. A primeira sugere que uma colisão de um corpo espacial com Marte, no início de sua história, gerou os detritos que formaram as luas. A segunda hipótese as descreve como asteroides errantes, vindos de regiões mais distantes do Sistema Solar, que foram capturados pela força gravitacional de Marte.
A missão MMX foi concebida para investigar essas questões. A sonda passará alguns anos estudando as duas luas em órbita antes de tentar pousar em Fobos, o que está planejado para 2030. A cápsula de retorno de amostras da MMX, projetada para trazer pelo menos 10 gramas de material, tem seu retorno à Terra previsto para 2031.
Colaboração e desafios técnicos
A Nasa, agência espacial americana, colabora ativamente com a missão MMX. A agência é responsável pelo fornecimento de instrumentos científicos, como o espectrógrafo MEGANE, e auxiliará no acompanhamento da navegação da sonda. Em contrapartida, a Nasa receberá cerca de 15% das amostras coletadas para suas próprias pesquisas.
A missão também inclui um rover, que terá a tarefa de identificar um local seguro para o pouso da sonda em Fobos. A superfície de Fobos é um desafio, pois é uma lua muito pequena, e pousar um veículo explorador nela nunca foi realizado antes. Uma vez em Fobos, a sonda utilizará um braço robótico e dois dispositivos de coleta para recolher poeira e fragmentos.
Potencial para descobertas inéditas
Os fragmentos coletados de Fobos podem trazer um bônus inesperado: um pedaço de Marte. Cientistas especulam que, devido à gravidade relativamente fraca de Marte, detritos ejetados por impactos de asteroides no planeta podem ser facilmente lançados em direção a Fobos. Se as amostras coletadas contiverem esses detritos, elas representariam as primeiras amostras físicas de Marte trazidas à Terra em seu estado original. Embora meteoritos marcianos cheguem ao nosso planeta, a maioria não é recuperada ou não se encontra em condições intactas.



