Israel quer reconhecer genocídio armênio, mas por quê agora?
Destaques
- •Israel propõe reconhecimento do genocídio armênio após décadas de silêncio.
- •Ação é vista como jogada política contra a Turquia e para melhorar imagem internacional.
- •Críticos apontam oportunismo e contradições com alianças e conflitos atuais.
O governo de Benjamin Netanyahu em Israel lançou uma iniciativa para reconhecer oficialmente o genocídio armênio, um marco que surge após décadas de relutância. A proposta, elaborada pelo chanceler Gideon Sa’ar, visa mudar a posição histórica de Tel Aviv sobre o extermínio de mais de 1,5 milhão de armênios pelo Império Turco-Otomano entre 1915 e 1923.
Contudo, a medida gerou desconfiança. Especialistas e veículos como o diário Haaretz apontam que a iniciativa é uma jogada estratégica para confrontar o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e melhorar a imagem internacional de Israel, especialmente diante das acusações sobre o conflito em Gaza.
A mudança de postura contrasta com o histórico de Israel em ignorar a comunidade armênia em Jerusalém e com sua aliança com o Azerbaijão, país acusado de continuar o genocídio em Nagorno-Karabakh. A antropóloga Mariana Boujikian e o professor Bruno Huberman, da PUC-SP, sugerem que o reconhecimento é uma ferramenta para atacar a Turquia e desviar o foco de suas próprias ações.




