Israel: Gadi Eisenkot é escolhido para formar governo após eleição inconclusiva

Destaques
- •O presidente de Israel, Isaac Herzog, deu a Gadi Eisenkot, principal rival de Benjamin Netanyahu, a primeira chance de formar um novo governo.
- •Eisenkot terá 28 dias para formar uma coalizão, com possibilidade de prorrogação, após receber 67 recomendações de partidos na Knesset.
- •A escolha de Eisenkot, ex-chefe do Exército e recém-chegado à política, ocorre após uma eleição que não definiu maioria clara para nenhum dos blocos.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, escolheu Gadi Eisenkot, principal rival do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para tentar formar um novo governo após uma eleição inconclusiva. A decisão foi anunciada após consultas com os partidos da nova Knesset (parlamento israelense), onde Eisenkot recebeu 67 recomendações para o cargo de primeiro-ministro, contra 46 de Netanyahu.
Eisenkot, ex-chefe do Exército israelense e membro do partido Unidade Nacional, terá agora 28 dias para formar uma coalizão, com uma possível prorrogação de 14 dias. Ele representa um desafio inesperado para Netanyahu, que lidera Israel há a maior parte das últimas três décadas.
O que motivou a candidatura de Eisenkot
A entrada de Gadi Eisenkot na política em 2022 foi impulsionada, em parte, por uma tragédia pessoal: a morte de seu filho, o sargento-mestre Gal Eisenkot, em dezembro de 2023, durante uma missão em Gaza. A perda de Gal, somada à morte de dois sobrinhos na mesma campanha e a críticas à gestão de Netanyahu sobre os ataques de 7 de outubro de 2023, impulsionaram as ambições políticas de Eisenkot.
Ele se juntou ao gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques de 7 de outubro, mas renunciou em junho de 2024, acusando o primeiro-ministro de não agir com rapidez para resgatar reféns. Eisenkot também criticou a resposta militar de Israel em Gaza, embora não se oponha à ofensiva em si.
Divergências com Netanyahu e propostas de Eisenkot
Benjamin Netanyahu, por sua vez, afirma que Eisenkot se opôs a movimentos militares importantes em Gaza e que sua abordagem não teria enfraquecido o Hamas. Netanyahu alega que, seguindo a estratégia de Eisenkot, "todo o Hamas" ainda estaria vivo e no controle.
Eisenkot rejeitou essas alegações e pediu a divulgação das atas das discussões do gabinete de guerra. Entre suas propostas de campanha, Eisenkot promete acabar com o governo do Hamas em 18 meses, lançar uma investigação sobre as falhas do governo nos ataques de 7 de outubro, lidar com a fuga de israelenses altamente qualificados e estimular a chegada de novos imigrantes.
Ele também propõe acabar com as regras de isenção do serviço militar para comunidades judaicas ultraortodoxas e árabes israelenses, implementando um plano de serviço universal. Eisenkot, filho de imigrantes marroquinos, busca desafiar a imagem de Netanyahu como defensor dos marginalizados.
Desafios e próximos passos
Apesar de sua popularidade, o partido de Eisenkot não deve conquistar a maioria absoluta no Knesset. Benjamin Netanyahu tem um histórico de sucesso na formação de governos de coalizão, mesmo quando seu partido obteve menos cadeiras que o rival. A campanha de Netanyahu tem argumentado que Eisenkot precisará do apoio de partidos liderados por árabes para formar um governo, algo que Eisenkot descartou publicamente, mas sem fechar totalmente as portas para alianças.
Analistas apontam que a imagem de Eisenkot como um homem sério e com histórico militar pode lhe render apoio público. No entanto, a substituição de Netanyahu não garante uma mudança repentina nas relações internacionais de Israel, e Eisenkot precisará tomar medidas decisivas em relação aos assentamentos na Cisjordânia e à situação em Gaza.


