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Irã e EUA trocam acusações após explosões e ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz

08 de novembro de 2026
Irã e EUA trocam acusações após explosões e ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz

Destaques

  • •Explosões e incêndios em petroleiros marcam escalada de tensão no Oriente Médio.
  • •Irã acusa EUA e Israel de ameaças, enquanto EUA ampliam bloqueio naval e atacam cargueiro.
  • •Acompanhe os desdobramentos da crise diplomática e militar na região.

O Irã reafirmou seu direito de defender a soberania e a segurança nacional em meio a uma escalada militar no Oriente Médio, com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, informando sobre conversas com chanceleres de 12 países para discutir os acontecimentos regionais e as ameaças dos Estados Unidos e de Israel de retomada de agressões militares. As consultas incluíram ministros de Omã, Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Chipre, Turquia, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Tunísia, Iraque e Paquistão. Em mensagem publicada no Instagram, Araghchi defendeu o respeito à soberania nacional, o fim das agressões e ameaças, e a rejeição a interferências estrangeiras, reiterando que o Irã considera legítimo seu direito de defender a soberania e a segurança nacional.

No sábado (07/11), explosões foram registradas em diferentes localidades do sul iraniano, na província de Hormozgan, incluindo a ilha de Qeshm, no estratégico Estreito de Ormuz, e na cidade portuária de Jask. Segundo a estatal iraniana IRIB, os estrondos poderiam estar relacionados a operações das próprias Forças Armadas iranianas para controlar a navegação no estreito. Não há informação sobre a autoria das explosões. Os incidentes ocorrem dias após uma ofensiva norte-americana contra posições iranianas na região. Na sexta-feira (6/11), o presidente Donald Trump confirmou que forças dos Estados Unidos haviam atacado um sistema de defesa aérea iraniano na ilha de Qeshm, classificando a operação como limitada. O governo iraniano advertiu que novos ataques poderiam provocar represálias contra alvos norte-americanos e israelenses em países vizinhos.

Versão iraniana e incidentes marítimos

A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que dois petroleiros pegaram fogo após atingir minas marítimas ao tentar atravessar uma rota não autorizada no Estreito de Ormuz. Segundo as autoridades iranianas, as embarcações haviam entrado em uma área classificada como perigosa, ignorando advertências sobre restrições à navegação e mantendo desligados seus sistemas de navegação e identificação. A Marinha da IRGC alertou outras embarcações contra violações semelhantes, afirmando que qualquer navio que cooperasse com o “exército agressor e saqueador” dos Estados Unidos, desafiasse os regulamentos iranianos que regem o Estreito de Ormuz ou entrasse em áreas proibidas, inevitavelmente atingiria minas.

A agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) detalhou que um navio-tanque pegou fogo a aproximadamente 15 quilômetros a noroeste de Khasab, cidade situada na Península de Musandam, próxima ao Estreito de Ormuz. A tripulação foi evacuada. Os novos incidentes se somam a uma série de ataques registrados nos últimos dias. Na sexta-feira (6/11), a UKMTO informou que um petroleiro sofreu uma explosão na linha d’água, a aproximadamente 30 quilômetros a leste de Khasab. Na quinta-feira (5/11), outro navio-tanque foi atingido por dois projéteis não identificados a aproximadamente 93 quilômetros ao norte de Madinat ash Shamal, no Catar.

Ampliação do bloqueio naval dos EUA

Os incidentes ocorrem em meio à intensificação do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. No sábado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou a criação da força-tarefa Iron Gate, destinada a restringir também o transporte de armamentos, tecnologias e mercadorias submetidas a sanções pelas fronteiras terrestres iranianas e pelo Mar Cáspio. A nova força-tarefa, com sede em Tampa, na Flórida, contará com aproximadamente 20 militares e funcionários civis e atuará em coordenação com outras agências do governo norte-americano para interromper o transporte de armamentos avançados, tecnologias de uso civil e militar e mercadorias consideradas ilegais pelas autoridades dos EUA.

O comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper, afirmou que o objetivo é ampliar os efeitos do bloqueio naval sobre a capacidade iraniana de financiar operações militares, reconstruir fábricas de armamentos e reabastecer suas forças. O CENTCOM também confirmou ter atacado e imobilizado o cargueiro comercial M/V Huda, de bandeira de São Cristóvão e Névis, no Golfo de Omã, após a embarcação ter passado por um porto iraniano e tentar deixar a região, desrespeitando repetidas advertências relacionadas ao bloqueio naval. Uma aeronave norte-americana disparou munições de precisão contra a popa do cargueiro, depois que sua tripulação civil foi orientada a abandonar as áreas que seriam atingidas. O CENTCOM também afirmou ter destruído dez petroleiros comerciais iranianos supostamente ligados a uma rede clandestina de transporte de petróleo operada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

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