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Investidor André Bacci defende recompra de cotas de fundos imobiliários

06 de novembro de 2026

Destaques

  • •André Bacci, investidor de fundos imobiliários, defende programas de recompra de cotas como uma obrigação moral da gestão.
  • •Ele observa um descompasso entre o desempenho das cotas e os resultados dos imóveis, com fundamentos positivos em alguns segmentos.
  • •Bacci mantém a estratégia de compra, ampliando exposição a fundos de tijolo e ativos estressados, e reduzindo a participação em fundos tradicionais.

O investidor André Bacci, conhecido por sua atuação no mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), defendeu a implementação de programas de recompra de cotas por gestores de fundos que negociam persistentemente abaixo de seu valor patrimonial. Em participação no programa Liga de FIIs, do InfoMoney, Bacci argumentou que essa medida não deve ser vista apenas sob a ótica financeira, mas como uma "obrigação moral" da gestão, especialmente para beneficiar cotistas de longa data que enfrentaram períodos de desvalorização.

Bacci destacou que, apesar da volatilidade recente nos fundos imobiliários, influenciada pelo cenário eleitoral, o momento exige foco nos fundamentos e menos atenção aos movimentos de curto prazo. Ele revelou que continua comprando ativos, mas ajustou a composição de sua carteira. O investidor ampliou sua exposição a fundos imobiliários de tijolo e a ativos considerados estressados, incluindo alguns Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e fundos de infraestrutura.

Mudanças na carteira e fundamentos dos imóveis

A principal alteração na estratégia de Bacci foi a redução da participação dos fundos imobiliários tradicionais para menos de 70% de seu patrimônio. Essa mudança ocorreu devido ao crescimento da alocação em fundos de infraestrutura em situações especiais, que agora representam quase 30% de sua carteira.

Ele também chamou atenção para o descompasso entre o desempenho das cotas no mercado secundário e os resultados reais dos imóveis. Em alguns segmentos, os fundamentos permanecem sólidos, com baixa vacância, reajustes de aluguel e carteiras de crédito saudáveis. No entanto, os preços das cotas continuam pressionados pelo cenário de juros elevados.

Essa discrepância, segundo Bacci, pode criar oportunidades de investimento para cotistas que compreendem os fundamentos por trás das oscilações de preço. "Eu sou comprador líquido", afirmou, indicando que manteve suas aquisições mesmo em períodos de maior estresse no mercado.

Retomada de negócios no mercado imobiliário tradicional

Outro ponto relevante levantado por Bacci foi a retomada de transações no mercado imobiliário tradicional, fora do universo dos fundos imobiliários. Nos últimos três a quatro meses, observou-se um aumento em negociações de imóveis comerciais, escritórios e galpões que estavam parados há algum tempo.

Um aspecto notável dessas operações é o uso de dinheiro como forma de pagamento, em vez de troca de cotas ou compensação de créditos. "Voltou as transações do mundo real. Escritório, galpão. Até shopping está tendo um pouco de transação", comentou.

Bacci também relatou que investidores externos ao mercado de FIIs têm apresentado propostas por ativos pertencentes a fundos. Esse movimento pode sinalizar uma melhora gradual na percepção sobre o setor imobiliário, embora seja necessário acompanhar a sustentabilidade dessa tendência nos próximos meses.

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