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Insônia crônica aumenta risco de demência, AVC e problemas cardíacos

22 de outubro de 2026
Insônia crônica aumenta risco de demência, AVC e problemas cardíacos

Destaques

  • •Insônia crônica está associada a um maior risco de demência, AVC e doenças cardíacas, segundo especialistas.
  • •Estudo da Clínica Mayo aponta que pessoas com mais de 60 anos com insônia crônica têm 40% mais chance de desenvolver demência em cinco anos.
  • •Tratamento da insônia pode envolver medidas comportamentais antes de medicamentos, como reduzir uso de telas e cafeína.

Quase um terço dos adultos nas capitais brasileiras apresenta sintomas de insônia, como dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes ou acordar cedo demais sem conseguir voltar a dormir. Quando o problema se torna crônico, as consequências podem ser graves, associadas a um maior risco de demência, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças cardíacas, alertam especialistas.

O sono desempenha um papel crucial na manutenção cerebral. Durante o sono profundo, um mecanismo de limpeza elimina resíduos acumulados ao longo do dia, impulsionado pela circulação do líquor, fluido que percorre os espaços entre as células cerebrais. Esses espaços se expandem temporariamente durante o sono, permitindo essa "faxina".

Comprometimento da "faxina" cerebral

A privação de sono prolongada pode comprometer esse processo de limpeza. Como resultado, proteínas associadas a doenças neurodegenerativas, como a beta-amiloide e a tau, frequentemente ligadas ao Alzheimer, podem se acumular. O neurologista Diego Carvalho explica que o problema é resultado de noites mal dormidas contínuas, que levam a um acúmulo dessas proteínas e, com o tempo, à morte neuronal.

Pesquisas recentes reforçam essa ligação. Um estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, indicou que indivíduos com mais de 60 anos que sofrem de insônia crônica têm um risco aproximadamente 40% maior de desenvolver demência nos cinco anos seguintes. "Não é algo que acontece de uma noite para o dia. É um problema crônico e, conforme a gente envelhece, acaba ficando um pouco mais difícil de reverter", afirma Carvalho.

Impactos cardiovasculares e na rotina

As consequências da insônia não se limitam ao cérebro, afetando também o sistema cardiovascular. Diego Carvalho aponta que a insônia está associada a um aumento do risco de AVC e problemas cardíacos.

Além dos riscos de longo prazo, a insônia impacta diretamente a rotina. Patrick, 35 anos, relata que o cansaço afetou sua atenção no trabalho, colocando um paciente em risco. Vitória, 30 anos, descreve a sensação de "fraqueza" e "energia drenada" pela privação de sono.

Quando buscar ajuda médica

O psiquiatra Alexandre Azevedo, do laboratório do sono da USP, orienta que a insônia deve ser investigada se ocorrer pelo menos três vezes por semana, por três meses, e vier acompanhada de cansaço, fadiga ou prejuízo nas atividades diárias. Nesses casos, a procura por ajuda médica é recomendada.

Azevedo ressalta que o tratamento nem sempre envolve medicamentos, priorizando medidas comportamentais. Entre as estratégias estão reduzir o uso de telas antes de dormir, evitar cafeína à noite, manter horários regulares para acordar e aumentar a exposição à luz natural durante o dia. A principal mensagem é que a insônia persistente não deve ser vista apenas como um desconforto, mas como uma condição que pode comprometer o funcionamento cerebral, cardíaco e a qualidade de vida.

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