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Depressão resistente: escetamina traz nova esperança a paciente após 15 tratamentos

24 de outubro de 2026
Depressão resistente: escetamina traz nova esperança a paciente após 15 tratamentos

Destaques

  • •Paciente com depressão resistente ao tratamento relata melhora significativa após uso de escetamina intranasal.
  • •A escetamina atua no sistema glutamatérgico, auxiliando na formação e reorganização de conexões cerebrais.
  • •O tratamento, que exige supervisão médica, é associado a um antidepressivo oral e pode causar efeitos colaterais temporários.

Após mais de uma década e cerca de 15 tratamentos para depressão sem melhora duradoura, Ivo Rockenbach, 58 anos, encontrou alívio com o uso de escetamina intranasal em 2024. A doença impactava seu trabalho, vida social e até mesmo decisões cotidianas. Hoje aposentado, Ivo retomou atividades como a restauração de uma motocicleta antiga e o convívio social, declarando: "Temos novamente uma vida!".

Os primeiros sinais e a busca por tratamento

Os primeiros sintomas da depressão em Ivo foram confundidos com timidez desde a infância. A dificuldade de relacionamento persistiu na vida adulta, intensificando-se após a morte de sua mãe em 2009-2010. Naquela época, ele buscou ajuda profissional, percebendo que a tristeza e o desânimo haviam atingido uma proporção incontrolável.

A depressão também afetou sua capacidade cognitiva, limitando o aprendizado, a realização de tarefas e a tomada de decisões. O Ministério da Saúde descreve a doença como capaz de causar falta de energia, perda de interesse, alterações no sono, dificuldade de concentração e lentificação do pensamento.

Depressão resistente e a nova abordagem terapêutica

Ao longo dos anos, Ivo experimentou diversos medicamentos e combinações terapêuticas, mas os sintomas retornavam, gerando sentimentos de desespero e fracasso. Em 2024, a médica Yasmin de Andrade diagnosticou depressão resistente ao tratamento, caracterizada pela falta de resposta a pelo menos dois antidepressivos de classes diferentes, usados adequadamente.

A especialista Karine Furlanetto, responsável pelo acompanhamento de Ivo, explica que a depressão resistente exige a verificação da correta utilização dos medicamentos e a investigação de outras condições. Antes de confirmar o diagnóstico, é crucial descartar fatores que possam perpetuar os sintomas, como dificuldades de concentração, cansaço, isolamento persistente, alterações no sono e humor, ou desesperança.

Escetamina intranasal: um novo caminho para a recuperação

A primeira aplicação de escetamina intranasal em Ivo ocorreu em 10 de outubro de 2024, Dia Mundial da Saúde Mental. Poucas horas após a aplicação, ele relatou sensações de bem-estar inéditas em anos. Naquela noite, pôde acompanhar a esposa a uma festa, algo que antes evitaria.

Segundo Karine Furlanetto, a escetamina atua no sistema do glutamato, promovendo a formação e reorganização de conexões entre as células cerebrais. O tratamento é administrado em ambiente clínico ou hospitalar, sob supervisão médica, devido a possíveis efeitos colaterais como elevação temporária da pressão arterial, sedação, tontura e náuseas. O acompanhamento contínuo é essencial para monitorar a redução dos sintomas e a recuperação das capacidades cotidianas.

A retomada do projeto de restauração da motocicleta antiga, interrompido em 2017, simboliza para Ivo uma vitória pessoal após anos de limitações impostas pela doença. A recuperação do interesse pelo convívio social e a disposição para atividades complexas marcam o novo capítulo em sua vida.

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