Indústria de biocombustíveis alerta para avanço de carros elétricos chineses no Brasil

Destaques
- •Presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) expressa preocupação com a expansão de veículos elétricos importados, especialmente da China.
- •Setor de biocombustíveis teme impacto na demanda por etanol e questiona incentivos fiscais para veículos elétricos estrangeiros.
- •Híbridos flex são vistos como alternativa promissora, e o Brasil busca expandir a tecnologia do etanol para mercados internacionais.
A indústria nacional de biocombustíveis, representada pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem), manifestou preocupação com o rápido avanço dos carros elétricos chineses no mercado brasileiro. O presidente da entidade, Amaury Pekelman, afirmou que a expansão dessas montadoras asiáticas representa um risco para o futuro da demanda por etanol no país, especialmente em um momento em que o setor busca aumentar o consumo do biocombustível e implementar novas misturas obrigatórias na gasolina.
Pekelman destacou que a apreensão não se deve apenas à tecnologia dos veículos elétricos, mas principalmente à forma como sua entrada no mercado brasileiro tem ocorrido. Ele questionou os incentivos fiscais concedidos aos veículos importados e defendeu um maior estímulo à produção nacional. "Será que isso é sustentável? Por que eles têm esse desconto quando trazem as peças para cá? Isso tem que acabar. A gente tem que estimular a indústria nacional", declarou o executivo durante entrevista ao programa Money Minds, do Money Times.
Críticas aos incentivos e à concorrência asiática
A fala de Pekelman ocorre em um cenário de forte expansão de marcas chinesas como BYD e GWM no Brasil. Essas empresas têm acelerado investimentos em eletrificação e conquistado uma parcela significativa do mercado automotivo nacional. A Unem avalia que as condições de entrada desses veículos no país, incluindo descontos na importação de peças, não são sustentáveis e prejudicam a indústria local.
O setor de biocombustíveis busca, simultaneamente, ampliar o consumo de etanol e avançar em novas misturas obrigatórias na gasolina. A concorrência dos veículos elétricos, com potenciais vantagens de custo e incentivos, surge como um desafio estratégico para esses objetivos.
Híbrido flex como alternativa e exportação de tecnologia
Apesar das críticas aos elétricos puros, Amaury Pekelman vê espaço para a coexistência entre a eletrificação e os biocombustíveis. Ele apontou os veículos híbridos flex, que combinam motores elétricos com o uso de etanol, como uma tendência promissora e mais alinhada à realidade energética brasileira. O Brasil possui uma vantagem competitiva única, combinando alta produção de biocombustíveis com uma frota adaptada a combustíveis renováveis.
A discussão também abordou a possibilidade de o Brasil exportar a tecnologia do etanol, acompanhando a expansão internacional das montadoras chinesas. Pekelman sugeriu que o desafio para uma expansão relevante do consumo de etanol em mercados como a China passa por levar políticas públicas favoráveis ao biocombustível para esses países. "O Brasil precisa se estruturar, junto com os americanos, para fazer com que mude a política pública na China", afirmou.
Desafios estratégicos para o setor de biocombustíveis
A preocupação com a ascensão dos carros elétricos chineses se soma aos desafios já enfrentados pelo setor de biocombustíveis, que busca destravar novas fontes de demanda. Além do aumento do consumo doméstico e da ampliação da mistura obrigatória na gasolina, a indústria aposta em frentes como o combustível marítimo e o SAF (combustível sustentável de aviação).
Para a Unem, o futuro da cadeia do etanol brasileira depende de uma combinação de políticas públicas, estímulos ao carro flex e desenvolvimento de novos mercados. Nesse contexto, o avanço dos veículos elétricos chineses é visto como um desafio estratégico de longo prazo, que exige atenção e adaptação do setor.
Matérias originais
- A “invasão dos chineses” que preocupa o presidente da Unem · moneytimes.com.br


