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Imunoterapia para câncer de reto leva à remissão em 76% dos pacientes

06 de novembro de 2026
Imunoterapia para câncer de reto leva à remissão em 76% dos pacientes

Destaques

  • •Nova imunoterapia demonstrou alta taxa de remissão em pacientes com câncer de reto avançado.
  • •Tratamento com dostarlimabe pode evitar cirurgias mutiladoras e colostomias permanentes.
  • •Anvisa deve autorizar a droga no Brasil no primeiro semestre de 2027.

Uma nova abordagem de tratamento para o câncer de reto, utilizando a imunoterapia com a droga dostarlimabe, tem apresentado resultados promissores, levando à remissão da doença em 76% dos pacientes em um estudo recente. A pesquisa, apresentada no congresso anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica em Madri, celebra os avanços na oncologia que visam a preservação do corpo e da vida, seguindo a linha do protocolo Watch and Wait, pioneiro no Brasil.

O protocolo Watch and Wait, idealizado pela médica brasileira Angelita Habr-Gama, revolucionou o tratamento do câncer de reto ao propor o monitoramento de pacientes com resposta adequada à quimio e radioterapia, evitando cirurgias drásticas e a necessidade de colostomia permanente. No entanto, uma parcela dos pacientes ainda necessitava de intervenção cirúrgica invasiva. A nova medicação surge como uma alternativa para esses casos.

Resultados da Imunoterapia

O estudo avaliou 154 pacientes com tumor de reto avançado e uma alteração genética específica. Após pelo menos um ano de tratamento com dostarlimabe, 76% dos participantes não apresentaram mais evidências da doença. Em 98 voluntários, todos os sinais visíveis e detectáveis do tumor desapareceram doze meses após o início do tratamento.

O oncologista Paulo Hoff, titular da Academia Nacional de Medicina, destaca que o novo tratamento amplia a possibilidade de preservação do órgão, algo preconizado por Angelita Habr-Gama. Ele ressalta que, ao evitar a combinação de quimioterapia, radioterapia e colostomia pós-cirúrgica, a imunoterapia melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Avanços na Oncologia e Perspectivas Futuras

A droga dostarlimabe, desenvolvida pela farmacêutica GSK, já recebeu aprovação acelerada da FDA, órgão regulatório americano. No Brasil, o pedido de autorização foi submetido à Anvisa, com expectativa de aprovação no primeiro semestre de 2027.

O coloproctologista Ulysses Ribeiro Júnior, professor da Faculdade de Medicina da USP, aponta que esses avanços não se limitam ao câncer de reto, mas representam uma tendência geral na oncologia para evitar a mutilação de pacientes. Ele cita o câncer de mama como exemplo, onde procedimentos menos radicais são cada vez mais comuns graças ao progresso em técnicas cirúrgicas e medicamentos.

O oncologista Carlos Barrios, diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas, em Porto Alegre, corrobora essa visão, afirmando que a evolução permitiu migrar de tratamentos com cirurgias mutiladoras para abordagens de conservação de órgãos, com segurança.

Desafios e Esperança para Outros Tumores

Apesar dos avanços, a preservação do órgão nem sempre é possível, como no caso do câncer de bexiga em estágios avançados, onde a remoção completa da estrutura ainda é indicada para salvar o paciente, segundo o oncologista Fabio Schutz, da BP — Beneficência Portuguesa de São Paulo.

No entanto, o sucesso da imunoterapia em outros tipos de câncer abre a perspectiva de que até mesmo esses cenários possam mudar no futuro, reforçando a ideia de que preservar o corpo pode ser sinônimo de preservar a vida.

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