Idosas viralizam na internet e transformam fama em negócio lucrativo

Destaques
- •Mulheres com mais de 70 anos conquistam milhões de seguidores em plataformas como TikTok e Instagram, com conteúdo que vai de moda a culinária.
- •A fama online tem permitido que elas paguem despesas, como lares de idosos, e criem fundos para netos, além de inspirar jovens a ver o envelhecimento de forma positiva.
- •Especialistas apontam que a autenticidade e a lealdade das comunidades formadas por essas criadoras atraem marcas, gerando oportunidades de negócios.
Aos 96 anos, Lillian Droniak, conhecida como "Vovó Droniak" no TikTok, é um exemplo de como a terceira idade pode encontrar fama e sucesso nas redes sociais. Com 15 milhões de seguidores, ela viralizou após seu lar de idosos ameaçar despejá-la por dar festas, um acordo posterior permitiu que as celebrações continuassem sem álcool. A renda gerada online, que chega a cobrir os US$ 12 mil (R$ 60 mil) mensais de sua estadia, é destinada a pagar as despesas e a um fundo universitário para seus bisnetos.
O fenômeno das "vovós do TikTok"
Droniak não está sozinha. Mulheres mais velhas, como Viv Truran, de 82 anos, no País de Gales, e Grace Geramita, de 85 anos, conhecida como Nonna Gracie, também conquistaram milhões de seguidores. Truran, que posta sobre moda e seus looks coloridos no Instagram, transformou seu quarto em um estúdio. Geramita, que compartilha receitas italianas há décadas, viu sua popularidade crescer após seu neto começar a filmá-la cozinhando.
Essas criadoras de conteúdo mais experientes atraem um público jovem, muitos com idade para serem seus netos, que buscam inspiração e uma nova perspectiva sobre o envelhecimento. Elas desmistificam a ideia de que a vida para após os 60 anos, mostrando que é possível se divertir, interagir e até mesmo construir carreiras de sucesso.
Fama que gera negócios e inspiração
A personalidade autêntica e as comunidades "profundamente estabelecidas e altamente leais" formadas por essas idosas são um grande atrativo para marcas. Naomi Baker, da agência de marketing We Are Social, destaca que esse público tem maior poder aquisitivo, o que "agrega um valor considerável" para parcerias comerciais. As criadoras, por sua vez, são seletivas com os contratos, priorizando marcas que realmente amam e que se alinham aos seus valores.
Viv Truran, por exemplo, já recusou grandes propostas por não se identificar com as marcas. Grace Geramita, apesar de ter se mudado da Itália para os EUA e trabalhado em múltiplos empregos para sustentar suas filhas, agora ganha mais do que em sua vida profissional anterior. Ela afirma que chora ao receber mensagens de pessoas do mundo todo, transmitindo a "tradição de reunir a família à mesa" e oferecendo "conforto em um mundo incerto".
Um novo capítulo na vida
Barbara Costello, de 77 anos, ex-professora, compartilha vídeos sobre culinária, limpeza e tarefas domésticas em suas contas "Brunch with Babs". Seus seguidores a veem como uma "avó virtual" ou "a mãe que eu nunca tive", e ela se sente feliz ao saber que seu livro de receitas ajudou uma estudante universitária durante seu primeiro ano morando sozinha.
Costello também trabalha com marcas, mas pondera cuidadosamente suas escolhas. A maior recompensa, segundo ela, é ver ex-alunos em suas sessões de autógrafos com seus próprios filhos, um "momento de fechamento de ciclo" que a faz acreditar que "esta é a minha vida". A fama online tem proporcionado a essas mulheres um novo propósito, reconhecimento e estabilidade financeira, provando que a idade é apenas um número quando se trata de impactar o mundo.



