IA revoluciona advocacia: escritórios buscam adaptação e novos talentos

Destaques
- •Inteligência Artificial é vista como ferramenta imbatível para tarefas repetitivas na advocacia, mas não substitui a necessidade de advogados em casos complexos.
- •Escritórios de advocacia, como o Pinheiro Neto, estão investindo em treinamentos focados em IA para seus colaboradores e estagiários, adaptando-se às novas demandas do mercado.
- •A adaptação à IA é vista como crucial para o futuro da profissão, com a necessidade de engajamento e aprendizado contínuo por parte dos profissionais.
A Inteligência Artificial (IA) está se consolidando como uma ferramenta poderosa e "imbatível" para otimizar tarefas repetitivas e maçantes no setor jurídico. No entanto, a tecnologia não representa uma substituição completa dos advogados, especialmente em casos complexos que exigem raciocínio humano, negociação e interação com clientes. A visão é de Fernando Alves Meira, sócio-gestor do Pinheiro Neto, que participou do Forbes Cast.
Segundo Meira, a IA "produz documentos com uma eficiência destacada" e é vista como uma "grandiosíssima ferramenta" pelos profissionais que a utilizam. Ele ressalta que a maior parte do tempo dos advogados é dedicada à conversa com o cliente, ao entendimento de suas necessidades e à busca por soluções, atividades que a IA ainda não pode replicar em sua totalidade. Para os novos entrantes no mercado, a IA muda o escopo de atuação, mas não elimina a necessidade de profissionais qualificados.
Adaptação e engajamento com a IA
Diante desse cenário, Meira aconselha as novas gerações de advogados a não resistirem à tecnologia, mas sim a se engajarem e se adaptarem. "Vocês não podem ficar paralisados ou resistindo; vocês têm que fazer o oposto: se engajar, se adaptar e acreditar que isso é benéfico", afirmou. Ele prevê que "todo mundo vai estar usando inteligência artificial", e que as tarefas maçantes e repetitivas são onde a IA se destaca, tornando o uso de recursos humanos para essas atividades obsoletos.
O escritório Pinheiro Neto tem discutido com faculdades de Direito a implementação de treinamentos focados em IA, incluindo engenharia de prompt e desenvolvimento de ferramentas. A expectativa é que estagiários não sejam substituídos, mas que precisem "saber usar rapidamente, absorver esse conhecimento". O número de estagiários contratados, segundo Meira, diminuiu um pouco, mas ele atribui essa redução mais ao cenário macroeconômico e à redução do volume de negócios do que à IA.
Mudança de sede e cultura organizacional
O texto também aborda a mudança do Pinheiro Neto de um edifício no Centro de São Paulo para a Rua Hungria. A decisão, tomada após um amplo debate entre os sócios, reflete a cultura horizontal do escritório, onde "nenhum dos sócios tem mais poder do que o outro". A mudança foi motivada pela degradação da região central, apesar dos esforços para sua revitalização.
"A gente busca perenidade, tem que fazer o que é certo para o negócio, e o escritório retribui em dobro aquilo que a gente faz por ele", declarou Meira sobre a filosofia que guiou a decisão. O novo espaço foi projetado pela Athié Wohnrath, empresa de arquitetura corporativa, que envolveu sócios e equipes no processo de design, incluindo mock-ups para opiniões. O projeto incluiu um andar para clientes, deck, restaurante e uma réplica da sala do fundador.
Após 20 anos, o escritório avalia que o prédio "atingiu o objetivo de ser atemporal", continuando a atender plenamente às necessidades da companhia, que também expandiu para um andar no Shopping Eldorado, também projetado pela Athié Wohnrath. O Pinheiro Neto, que completa 85 anos em 2027, mantém uma política de frequência presencial, com cerca de 75% dos colaboradores indo ao escritório cinco dias por semana.



