IA no SUS: Promessa de campanha ou revolução na saúde?
Destaques
- •Candidatos de direita, esquerda e centro propõem uso de IA para otimizar o SUS em 2026.
- •Aplicações incluem triagem, agendamento e auxílio diagnóstico, mas especialistas alertam para desafios.
- •Integração de dados e infraestrutura são gargalos; El Salvador serve de inspiração, mas com ressalvas.
A inteligência artificial desponta como um tema unificador nas eleições de 2026, com candidatos de todos os espectros políticos propondo seu uso no Sistema Único de Saúde (SUS). A ideia é revolucionar a gestão, desde a triagem de pacientes até o auxílio em diagnósticos.
A proposta central é substituir a fila tradicional por uma triagem algorítmica, priorizando casos com base na gravidade e risco de progressão da doença. Candidatos como Flávio Bolsonaro e Lula mencionam a IA para agilizar consultas, exames e prevenção, enquanto Renan Santos cita o modelo de El Salvador.
No entanto, especialistas alertam que a implementação enfrenta obstáculos significativos. A capacidade de atendimento e a qualidade dos dados no SUS são pontos críticos. Wagner Meira Jr., da UFMG, ressalta que a IA funciona melhor em casos bem definidos e que a falta de dados clínicos padronizados pode levar a diagnósticos errôneos, com risco de vida.
A integração de sistemas fragmentados entre municípios e estados é outro desafio. Antonio Ribeiro, da UFMG, sugere que projetos específicos, como a priorização de exames, são mais realistas a curto prazo, mas exigem validação e infraestrutura robusta. A comparação com El Salvador também levanta questões de escala e soberania de dados, já que o sistema salvadorenho é muito menor e utiliza tecnologia de empresas como o Google.
A aposta é que a IA preditiva, que aprende com dados reais de pacientes, tem o potencial de transformar o sistema de saúde, mas a digitalização e padronização dos dados são a matéria-prima essencial que ainda falta no Brasil. 💰

