Holanda: Nova técnica reconstrói clitóris e devolve sensibilidade sexual

Destaques
- •Cirurgiões holandeses desenvolveram técnica inédita para reconstruir o clitóris após remoção de tumores na vulva.
- •Procedimento, que reconstrói o órgão a partir de nervos preservados, já devolveu a sensibilidade e capacidade de orgasmo a 90% das pacientes tratadas.
- •A técnica, adaptada de métodos para mutilação genital feminina, visa melhorar a qualidade de vida de mulheres com câncer de vulva e será expandida na Holanda.
Cirurgiões do Radboudumc, na Holanda, desenvolveram uma técnica inédita para reconstruir o clitóris após a remoção de tumores na vulva, com o objetivo de preservar a sensibilidade e a capacidade de ter orgasmos. O procedimento, que reconstrói o órgão a partir de nervos preservados, já apresentou resultados notáveis em um grupo inicial de pacientes.
A nova abordagem, publicada na revista científica Gynecologic Oncology, utiliza o tecido preservado após a remoção do tumor. Profissionais liberam e reposicionam estruturas com nervos para formar uma nova ponta do clitóris, recoberta com um pequeno enxerto retirado da mucosa da boca. Essa adaptação de um método utilizado na reconstrução após mutilação genital feminina preserva nervos e vasos sanguíneos e acrescenta aproximadamente 15 minutos à operação.
Resultados impressionantes na recuperação sexual
Os resultados iniciais são promissores: em um grupo de 23 mulheres operadas, aproximadamente 90% recuperaram a função sexual, conseguindo ter orgasmo clitoriano entre três e seis meses após a cirurgia. Em um estudo anterior com 18 pacientes, 16 (88,9%) alcançaram o orgasmo clitoriano. Anteriormente, a remoção do tumor muitas vezes significava a perda definitiva do clitóris e da qualidade de vida, pois a ferida era simplesmente fechada, deixando o tecido remanescente sob uma camada de pele com pouca atenção à recuperação sexual.
Duas das 18 pacientes apresentaram complicações relacionadas especificamente à reconstrução, uma proporção de 11,1%. A recuperação da sensibilidade pode variar no início, mas o melhor resultado costuma ser atingido após um ano.
O que é o câncer de vulva e como a técnica se compara
O câncer de vulva é um tumor raro que atinge a parte externa dos órgãos genitais femininos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença é mais comum após a menopausa e pode estar associada à infecção pelo HPV, a doenças crônicas da pele e ao enfraquecimento das defesas do organismo. Os principais sinais incluem mudanças na cor da pele, com áreas esbranquiçadas, avermelhadas ou escurecidas.
A técnica desenvolvida pelos pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud representa um avanço significativo em comparação com os procedimentos anteriores, que não priorizavam a recuperação da função sexual. A nova abordagem é tecnicamente viável e visa devolver a qualidade de vida às pacientes que enfrentam essa doença.
Próximos passos e expansão do método
A técnica está sendo introduzida em outros hospitais da Holanda dentro de um programa de pesquisa. A próxima etapa envolverá a avaliação prospectiva dos efeitos sobre a função sexual e a qualidade de vida das pacientes, além de sua incorporação à rotina de atendimento. O objetivo é confirmar os resultados a longo prazo e expandir o método para outros países, garantindo que mais mulheres possam ter sua função sexual preservada após o tratamento oncológico.



