Guiné-Bissau: Referendo Constitucional Militar é classificado como "fracasso total" pela oposição
Destaques
- •Oposição guineense alega abstenção superior a 90% em referendo constitucional convocado por militares.
- •Críticos apontam que baixa participação reflete rejeição ao regime e a nova Constituição proposta.
- •Oposição pede que parceiros internacionais considerem o boicote como um posicionamento político inequívoco do povo.
O povo da Guiné-Bissau foi às urnas neste domingo (31/08) para um referendo constitucional que, segundo a oposição, foi um "fracasso total". A votação, convocada após um golpe militar em novembro de 2025, visava dar mais poderes ao presidente, mas a abstenção expressiva, estimada em mais de 90% por grupos opositores, levantou dúvidas sobre sua legitimidade.
A proposta constitucional, elaborada pelo Conselho Nacional de Transição, alteraria significativamente o equilíbrio de poder, concedendo ao presidente a prerrogativa de nomear e demitir o primeiro-ministro e ministros, além de presidir o Conselho de Ministros e dissolver o Parlamento sem aval prévio em certas circunstâncias. O texto também prevê a redução de cadeiras no Legislativo e de distritos eleitorais.
Diante do cenário, a oposição guineense, através de comunicados conjuntos, apelou à comunidade internacional para que leve em conta o boicote como uma manifestação clara de rejeição às decisões impostas pelo regime militar e à falta de consenso popular. A preocupação é que a imposição de uma nova Constituição possa agravar a crise política e institucional no país.
O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Idriça Djaló, anunciou uma participação acima de 50%, mas sem data para a divulgação dos resultados. Para os opositores, a baixa adesão popular, caso confirmada, demonstra a necessidade de consenso e participação para qualquer mudança constitucional, alertando que qualquer tentativa de impor a nova lei fundamental seria um passo para aprofundar a instabilidade. 📉


