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Gripe aviária em visons nos EUA: autoridades minimizam risco de pandemia

26 de outubro de 2026

Destaques

  • •Um surto de gripe aviária em uma fazenda de visons em Utah levanta preocupações sobre o potencial de mutação do vírus e transmissão para humanos.
  • •Especialistas criticam a resposta das autoridades americanas, que priorizaram a indústria de peles em detrimento da saúde pública e não monitoraram trabalhadores.
  • •A falta de ação proativa e a minimização do risco podem aumentar a probabilidade de uma nova pandemia, potencialmente mais letal que a Covid-19.

Uma investigação da ProPublica revela que um surto de gripe aviária em uma fazenda de visons em Utah, que já causou a morte de dois humanos ao contraírem o vírus de animais, está sendo tratado com negligência pelas autoridades americanas. O vírus, embora adaptado para aves, possui potencial para mutar e desencadear uma pandemia mais mortal que a Covid-19, segundo especialistas. A fazenda em questão, C&T Fenn Farms, abriga milhares de visons cujos pulmões e vias aéreas são celularmente semelhantes aos humanos, facilitando a adaptação viral.

Resposta inadequada e falta de monitoramento

Ao contrário do protocolo para aves infectadas, que exige o abate de todo o lote, não existem regras federais para lidar com surtos em visons. A veterinária estadual de Utah, Amanda Price, buscou ajuda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), mas o órgão não regulamenta a criação de visons nem possui vacina aprovada. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) conversaram com autoridades de saúde locais, mas não com Price. A investigação aponta que o foco das autoridades tem sido proteger os interesses da indústria de peles, em vez de conter o surto e prevenir a transmissão para humanos. Especialistas classificaram essa inação como "irresponsável" e "brincar com fogo".

Apesar das orientações do CDC, os trabalhadores que lidam com os visons não estão sendo monitorados quanto a sintomas, contrariando a prática adotada em outros surtos. A epidemiologista Pamela Gomez Pinedo relatou dificuldades em obter informações detalhadas das autoridades agrícolas, pois os agricultores se sentiam incomodados com o monitoramento ativo. Um acordo entre o departamento de agricultura e alimentação de Utah e o departamento de saúde estipula que o monitoramento ativo só ocorrerá em caso de evidências de transmissão de pessoa para pessoa, uma política criticada por especialistas.

Risco de mutação e pandemia iminente

A cepa da gripe aviária H5N1, que devastou granjas americanas, já infectou bovinos e se espalhou rapidamente em laticínios. Acredita-se que os visons, com receptores celulares semelhantes aos humanos, possam ser um hospedeiro intermediário ideal para o vírus mutar e se adaptar à transmissão entre pessoas. Estudos indicam que uma única mutação pode alterar a preferência do vírus por receptores humanos. A aglomeração de animais em fazendas aumenta as chances de novas cepas surgirem e se espalharem.

A falta de vigilância ativa e a minimização do risco por parte das autoridades de Utah são preocupantes. Especialistas alertam que a ausência de um líder para a abordagem de "saúde única" pode permitir que o vírus continue circulando e se adaptando. A possibilidade de "reassortimento" viral, onde a gripe aviária se mistura com outros vírus da gripe humana, aumenta o risco de uma pandemia. A temporada de gripe humana já começou, elevando a preocupação com a circulação do vírus em visons.

Histórico de negligência e interesses econômicos

Em 2020, autoridades agiram de forma mais proativa em surtos de COVID-19 em fazendas de visons, com monitoramento e testes frequentes. No entanto, para a gripe aviária, o USDA alega que o vírus da COVID-19 tinha um potencial "significativo" de transmissão humano-animal, justificando a diferença de abordagem. A investigação da ProPublica revelou que as autoridades de Utah se esforçaram para manter o surto em segredo, evitando declarar estado de emergência para não alertar grupos de direitos dos animais. A veterinária estadual, Amanda Price, demonstrou deferência à família proprietária da fazenda, baseando suas decisões em informações limitadas e sem visitar a propriedade.

A fazenda C&T Fenn Farms, que produz peles de luxo para exportação, recebeu apenas uma "ordem verbal" para não movimentar animais ou materiais. O proprietário, Chad Fenn, minimizou os riscos, afirmando que seus funcionários usam máscaras e que ele próprio nunca usou. Ele expressou frustração por não haver vacinas disponíveis para visons, enquanto o USDA afirma não ter autoridade regulatória para programas de vacinação ou indenização para abate. Especialistas e defensores de direitos dos animais consideram a situação um "claro sinal de alerta", criticando o risco à saúde pública em prol de uma indústria em declínio.

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