Governo Lula busca proximidade com EUA e China para impulsionar agronegócio

Destaques
- •Brasil mira EUA e China para evitar tarifas e ampliar exportações do agronegócio.
- •Exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6% no primeiro semestre de 2026.
- •Próximos passos incluem negociações diplomáticas para reduzir tensões comerciais e explorar acordos com a União Europeia.
A primeira missão do governo Luiz Inácio Lula da Silva na política comercial para o agronegócio será manter a proximidade com os Estados Unidos para evitar o agravamento de disputas tarifárias. Ao mesmo tempo, o Brasil poderá ampliar o espaço de seus produtos na China e na União Europeia, aproveitando a relação diplomática com esses mercados, segundo Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM.
“Essa é a primeira tarefa que temos no governo Lula: de algum modo mantermos proximidade com os EUA para que isso não agrave questões tarifárias que podem prejudicar bastante certos produtos brasileiros”, afirmou Trevisan em entrevista ao CNN Agro News. Ele avalia que a competitividade do agronegócio brasileiro, que lidera em soja, algodão e carne, é um dos fatores que explicam as medidas comerciais adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. A diplomacia brasileira deverá demonstrar aos norte-americanos que há espaço para a atuação dos dois países no mercado internacional, sem que o avanço das exportações brasileiras seja interpretado como uma ameaça.
Concorrência e Pressão nos EUA
Trevisan chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário norte-americano, como o endividamento. Os pedidos de falência de empresas do agronegócio nos Estados Unidos cresceram 40% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período de 2025. A concorrência com o Brasil pode aumentar a pressão sobre os produtores norte-americanos e, consequentemente, influenciar a política comercial de Washington. Por isso, o governo brasileiro deverá buscar uma interlocução que reduza as tensões e favoreça a revisão de medidas que afetam as exportações nacionais.
Um ponto de atenção é a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Trevisan avalia que a relação entre Lula e Trump poderá contribuir para as negociações, citando declarações do presidente norte-americano de que “gosta do presidente Lula”.
Expansão e Oportunidades Internacionais
A expansão das vendas externas brasileiras aumenta a importância dessas negociações diplomáticas. No primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6%. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 169 bilhões em produtos do agronegócio, contra US$ 171 bilhões dos Estados Unidos, segundo o professor. A diferença de aproximadamente US$ 2 bilhões deixou os dois países próximos no comércio global do setor.
Trevisan avalia que o Brasil poderá superar os norte-americanos em exportações agropecuárias, o que reforçaria a posição brasileira nos mercados internacionais, mas também tornaria a concorrência entre os dois países mais acirrada.
China e União Europeia como Prioridades
Além dos Estados Unidos, a China deverá continuar entre as prioridades da política comercial brasileira para o agronegócio. Trevisan avalia que a relação entre Lula e o presidente chinês, Xi Jinping, pode facilitar a ampliação das vendas brasileiras ao país asiático.
O professor também destacou os sinais de aproximação de lideranças europeias com o presidente brasileiro após a eleição. Manifestações de dirigentes como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao “meu amigo Lula” indicam espaço para aprofundar as relações políticas e comerciais com o bloco. Nesse contexto, Trevisan citou o acordo entre Mercosul e União Europeia como uma oportunidade para o agronegócio brasileiro. As vendas brasileiras ao bloco cresceram 30% no primeiro semestre, em um movimento que o país poderá buscar ampliar.
O Sudeste Asiático também aparece como uma frente de expansão. Dados do Banco Central mostram que as vendas brasileiras à região no primeiro semestre superaram as exportações para o Mercosul. Embora a China tenha peso importante nos resultados, ele ressaltou o crescimento das vendas aos demais países do Sudeste Asiático.
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- Relação com EUA será primeira missão de Lula para o agro, diz professor · cnnbrasil.com.br



