Gol inicia voos internacionais com aviões alugados e adia frota própria

Destaques
- •Companhia aérea Gol utiliza aeronaves da espanhola Wamos para operar rotas para Nova York e Lisboa enquanto aguarda a chegada de sua nova frota de Airbus A330neo.
- •Atrasos na entrega e preparação dos cinco A330neo, previstos para o primeiro trimestre de 2027, levaram a Gol a buscar soluções temporárias para expandir sua atuação internacional.
- •A Gol planeja aumentar a participação do mercado internacional para 20%-25% de sua receita até 2029/2030, buscando maior receita em moeda estrangeira e proteção contra o câmbio.
A Gol iniciou suas operações intercontinentais para Nova York e Lisboa utilizando aeronaves, pilotos e manutenção fornecidos pela espanhola Wamos, empresa-irmã dentro do Grupo Abra. Essa estratégia permitiu à companhia aérea cumprir o cronograma de estreia internacional, mesmo diante de atrasos na preparação de sua própria frota de cinco Airbus A330neo, cuja entrega foi adiada do fim de 2026 para o primeiro trimestre de 2027.
A expansão para rotas internacionais representa uma mudança significativa na estratégia da Gol, que por 25 anos focou em uma frota padronizada de Boeing 737 e operações predominantemente domésticas e regionais. A nova operação exige pilotos treinados em diferentes modelos de aeronaves, estrutura de manutenção distinta, serviços de cabine executiva e maior capacidade de carga. "Isso é muito maior do que simplesmente colocar um avião para voar. Estamos mudando a forma como a Gol se posiciona no mercado", afirmou Rafael Araújo, diretor executivo de projetos da Gol e do Grupo Abra. O projeto é considerado uma transformação importante após a recuperação judicial da empresa nos EUA, concluída em junho de 2025.
Atrasos na frota e preparação para voos internacionais
A incorporação dos A330neo está enfrentando gargalos na disponibilidade de centros de manutenção e peças, um problema que afeta o setor aéreo globalmente. A Gol está na fase final de certificação junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), com previsão de conclusão até novembro. Os voos domésticos com os A330neo estão programados para começar em 18 de novembro, em rotas para Salvador, Belém e Manaus, servindo como fase de adaptação antes da estreia internacional prevista para meados de fevereiro de 2027.
Pilotos experientes da Gol estão migrando dos Boeing 737 para os Airbus A330, e a companhia também contratou profissionais com experiência no modelo e recorrerá a pilotos de outras empresas para treinamento. Comissários e mecânicos também passam por capacitação. Enquanto a frota própria é preparada, os voos para Nova York (iniciados em julho) e Lisboa (em setembro) são operados sob o modelo de wet lease, onde a Wamos fornece a aeronave, tripulação, manutenção e seguro, enquanto a Gol cuida dos serviços de solo.
Objetivos e desafios da expansão internacional
O objetivo da Gol é conquistar uma fatia maior das receitas de viagens internacionais, elevando sua participação para entre 20% e 25% até 2029 ou 2030. Essa estratégia visa aumentar o faturamento em moeda estrangeira, oferecendo uma proteção natural contra a volatilidade do câmbio. O mercado internacional já é explorado por concorrentes como Latam (53% da capacidade internacional em 2025) e Azul (23%).
A flexibilidade proporcionada pelo Grupo Abra, controladora da Gol e da Avianca, permite a transferência de aeronaves entre as companhias do grupo, reduzindo riscos e acelerando a expansão onde houver demanda. Os A330neo prometem consumir cerca de 12% menos combustível que os modelos atuais da Wamos, uma economia crucial diante da alta do petróleo, que pode representar de 30% a 40% dos custos de uma companhia aérea.
Os primeiros resultados comerciais das rotas para Nova York e Lisboa têm sido positivos, especialmente nas cabines premium, com boa ocupação e tarifas saudáveis. A Gol aposta na integração dessas operações com sua malha doméstica, usando o Galeão (Rio de Janeiro) como centro de conexões, e na receita gerada pelo transporte de cargas. A companhia também planeja ampliar destinos, como Paris, mas aguarda datas firmes para a disponibilidade da frota para novos anúncios.
Matérias originais
- O desafio da Gol para transformar voos à Europa e aos EUA em um novo negócio · investnews.com.br



