Gestor da HIX Capital recomenda foco em empresas com receitas previsíveis

Destaques
- •Rodrigo Heilberg, da HIX Capital, alerta para queda nas margens de lucro das empresas com o fim dos estímulos fiscais.
- •O gestor sugere investir em companhias com fluxo de caixa previsível e demanda resiliente, como Eneva, OceanPact, GPS e Cury.
- •A estratégia visa preservar capital em ativos de alta qualidade corporativa, mesmo que não apresentem o maior potencial de valorização.
O fim dos estímulos fiscais deve pressionar os balanços das companhias abertas no próximo ano, com uma provável desaceleração econômica que pode levar à queda nas margens de lucro e resultados operacionais mais fracos. A análise é de Rodrigo Heilberg, fundador da HIX Capital, que participou do programa Stock Pickers, conduzido por Lucas Collazo. Ele recomenda que investidores priorizem empresas que não dependam excessivamente do consumo interno e que possuam receitas previsíveis e garantidas para atravessar este cenário.
Heilberg destacou que a busca por expansão de lucros na bolsa de valores brasileira tornou-se complexa, com poucas exceções. Nomes do mercado de capitais como B3, XP e BTG Pactual (BPAC11) foram citados como exemplos de empresas que podem se beneficiar em meio a um ambiente desafiador. A gestora HIX Capital, segundo o fundador, tem concentrado recursos em companhias com fluxo de caixa previsível e demanda resiliente, como Eneva (ENEV3), OceanPact (OPCT3), GPS (GGPS3) e Cury (CURY3).
Projetos de energia e navegação impulsionam fluxo de caixa
No setor elétrico, Heilberg aponta que o fenômeno de sobreoferta pontual renovável, conhecido como curtailment, eleva temporariamente os preços do Megawatt-hora (MWh) nos horários de pico. Isso, por sua vez, amplia as margens de usinas térmicas que operam com gás natural próprio. A Eneva, por exemplo, teve seu desempenho impulsionado pelo leilão de reserva de capacidade em março deste ano, que assegura a expansão do resultado sem exigir o consumo acelerado das reservas de combustível.
“Ela [Eneva] vai ter muito mais resultado gastando muito menos molécula, e o duration do fluxo vai voltar um pouco para aquele ponto: talvez ela tinha 10 anos de gás, talvez ela tem 20 anos de gás. Então, tem mais lucro e mais prazo para monetizar aquele gás”, explicou Heilberg.
Consolidação no setor marítimo e serviços essenciais
Além da tese energética, o fundador da HIX Capital ressalta que movimentos de consolidação no setor de navegação e apoio marítimo geram ganhos de escala para fornecedores da Petrobras (PETR4). A fusão das frotas da OceanPact (OPCT3) e da CBO resultou em uma operação com quase 70 embarcações. Essa união se beneficia da escassez mundial de barcos e da falta de espaço em estaleiros globais, segundo Heilberg.
A diversificação defensiva do portfólio da HIX Capital também inclui prestadoras de serviços essenciais, como a GPS, que combina crescimento orgânico e aquisições, e incorporadoras focadas no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, como a Cury. O gestor enfatiza que a prioridade continua sendo a preservação de capital em ativos de alta qualidade corporativa.
“Eu acho que a gente ainda tem um viés muito grande de tentar ficar em companhias muito sólidas, mesmo entendendo que elas não vão ser as companhias que vão subir mais”, concluiu Heilberg.



