Gestor bilionário aposta em ativos brasileiros em meio a pânico pós-eleição

Destaques
- •Rajiv Jain, da GQG Partners, vê exagero na reação dos mercados à eleição de Lula e considera comprar ações brasileiras.
- •O gestor cita a Petrobras como exemplo de sucesso em apostas contrárias ao consenso, com retorno de mais de 285% desde 2022.
- •Jain acredita que os freios e contrapesos políticos no Brasil funcionam e que vender o país agora seria um erro.
O cofundador da GQG Partners, Rajiv Jain, um dos maiores acionistas privados da Petrobras, se prepara para comprar ativos brasileiros em meio ao pânico gerado pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Jain considera exagerada a reação dos mercados, que despencaram na segunda-feira após a vitória inesperada de Lula, frustrando apostas em uma política fiscal mais austera. O real sofreu a maior queda em mais de duas décadas e o Ibovespa chegou a recuar 17%, acionando um circuit breaker.
Segundo Jain, que administra cerca de US$ 150 bilhões, as empresas brasileiras continuam com valuations atrativos, lucros sólidos e dividend yields elevados. "Se você adotar uma visão de longo prazo, acreditamos que o Brasil seja um dos melhores mercados de ações" entre os emergentes, disse ele em entrevista, indicando que a GQG pode comprar se a venda se intensificar.
Aposta contrária em 2022 deu resultado
A postura de Jain em relação ao Brasil remete a 2022, quando a GQG ampliou seu investimento na Petrobras e se tornou a maior acionista privada da companhia. Na época, outros investidores se desfizeram dos papéis por receio de maior interferência política do governo Lula em áreas como política de preços de combustíveis e dividendos.
Essa aposta contrária ao consenso se mostrou lucrativa. A Petrobras acumula retorno superior a 285%, incluindo dividendos, em dólares desde então, superando até gigantes de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet.
Otimismo com o longo prazo e freios políticos
Jain citou o primeiro mandato de Lula, no início dos anos 2000, quando as ações brasileiras subiram impulsionadas por um boom de commodities, como evidência de que receios políticos não necessariamente resultam em retornos ruins para investimentos. "As pessoas sempre têm esse medo, mas os freios e contrapesos ainda funcionam razoavelmente bem", afirmou.
Ele acredita que a política no Brasil raramente é tão boa quanto se espera nem tão ruim quanto se teme, com a realidade geralmente se situando no meio-termo. "Na nossa avaliação, vender Brasil agora seria um erro", concluiu.
Brasil ainda é a maior aposta emergente da GQG
Apesar de ter reduzido suas posições no Brasil nos últimos meses para financiar compras de ações de empresas de semicondutores em Taiwan e Coreia do Sul, diante de uma visão mais otimista sobre inteligência artificial, o Brasil ainda representa a maior aposta de Jain entre os mercados emergentes. No fim de setembro, ações brasileiras compunham 14% do GQG Partners Emerging Markets Equity Fund, de US$ 18 bilhões, quase 10 pontos percentuais acima do peso no índice de referência.
Jain ainda vê espaço para reformas favoráveis ao mercado durante o governo Lula e gosta de bancos e empresas de serviços públicos brasileiras, além da Petrobras, que ele considera "ainda barata" e com dividend yield elevado. Os mercados locais já mostravam sinais de estabilização na manhã de terça-feira, com o Ibovespa recuando cerca de 0,7% e o real avançando 1,1%.
Matérias originais
- Para sócio da maior acionista privada da Petrobras, sair do Brasil seria erro · investnews.com.br



