Fundos imobiliários: Especialistas indicam fundos de papel como mais resilientes

Destaques
- •Após forte queda do IFIX, fundos de recebíveis atrelados ao CDI são apontados como mais resilientes em cenário de juros altos.
- •Especialistas divergem sobre a proporção ideal entre fundos de papel e tijolo, mas concordam na importância da qualidade do crédito e diversificação.
- •O mercado acompanha a evolução da taxa Selic e da inflação para definir estratégias de investimento em fundos imobiliários.
A forte queda dos fundos imobiliários após o resultado das eleições presidenciais reacendeu o debate sobre quais segmentos podem apresentar maior resiliência em um cenário de estresse. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney indicam que os fundos de papel, especialmente os atrelados ao CDI, podem apresentar melhor desempenho nos próximos meses. Em contrapartida, os fundos de tijolo tendem a ficar mais expostos à volatilidade dos juros futuros.
O movimento de aversão ao risco ganhou força no primeiro pregão após a eleição, com o IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, recuando 5,68% em 26 de outubro, registrando uma das maiores quedas de sua história.
Fundos de papel em destaque
Para Otmar Schneider, analista de valores mobiliários da Nord Investimentos, os fundos de recebíveis podem se destacar caso se confirme um cenário de juros elevados por mais tempo. Segundo ele, os ativos indexados ao CDI tendem a apresentar desempenho favorável enquanto os juros permanecerem em patamares elevados. Dependendo do estresse que isso gerar em relação à inflação, os fundos de IPCA+ também podem atrair investidores caso a inflação volte a ganhar força, pois garantem uma taxa acima da inflação.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, também vê oportunidades nos fundos de recebíveis, mas ressalta que a seleção dos ativos deve considerar a qualidade do crédito. Operações indexadas ao CDI, com garantias consistentes e devedores financeiramente sólidos, podem sustentar distribuições mais previsíveis enquanto os juros permanecerem elevados.
“Minha preferência tática para os próximos meses recai sobre os fundos imobiliários de papel com elevada qualidade creditícia, particularmente aqueles com recebíveis predominantemente indexados ao CDI, garantias consistentes e devedores financeiramente sólidos”, afirma Olívia.
Diversificação e perfil do investidor
Otmar Schneider defende que o investidor pode aumentar um pouco a participação dos fundos de papel na carteira, mas sem comprometer a diversificação. Para ele, uma composição de referência poderia partir de 40% em papel e 60% em tijolo, com ajustes conforme as expectativas para o mercado.
“É sempre interessante você ter uma carteira diversificada, mesmo colocando um percentual um pouco maior em papel para aproveitar o momento”, comenta o analista da Nord.
Olívia também considera razoável ampliar gradualmente a exposição aos recebíveis, mas alerta contra a venda indiscriminada de fundos de tijolo após uma queda expressiva das cotas. Para uma carteira hipotética, de perfil moderado e com horizonte de longo prazo, a executiva considera defensável uma composição de 60% em papel e 40% em tijolo, com diversificação entre indexadores e segmentos imobiliários.
Já Bruno Guimarães, planejador financeiro CFP pela Planejar, adota uma posição mais cautelosa. Para ele, não existe uma proporção ideal que possa ser aplicada indistintamente a todos os investidores. A composição depende do perfil de risco, dos objetivos e do prazo de cada investimento.
“O que define a carteira é o perfil de risco, o objetivo e o prazo de cada recurso. A combinação entre papel e tijolo é resultado do planejamento, não o ponto de partida”, afirma Guimarães.
Matérias originais
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