Fundos de Infraestrutura sofrem saídas recordes e rendimento negativo

Destaques
- •Fundos de Infraestrutura registraram saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões em setembro, o terceiro mês consecutivo de perdas.
- •A maioria dos fundos que trocam a exposição à inflação pelo CDI, os chamados hedgeados, tiveram um dos piores meses de sua história.
- •Especialistas apontam que a correção já criou oportunidades, mas o prêmio ainda não é suficiente para compensar o risco.
Os FI-Infra, fundos de investimento que aplicam em debêntures de infraestrutura isentas de Imposto de Renda, estão mostrando um lado menos amigável para os investidores. Após um período de estabilidade e atratividade similar a uma LCI, setembro trouxe um cenário de perdas, com a maioria dos fundos hedgeados (que trocam a exposição à inflação pelo CDI) registrando retornos negativos.
A situação se reflete nas saídas líquidas: em setembro, os fundos de infraestrutura tiveram saídas de R$ 3,6 bilhões, um aumento em relação aos R$ 2,6 bilhões de agosto. Essa tendência de resgates é observada desde março, com um pico de R$ 11,6 bilhões em maio. A mediana dos prêmios das debêntures incentivadas sobre os títulos públicos subiu cerca de 0,40 ponto percentual no mês.
A explicação para essa reviravolta envolve a dinâmica dos fundos hedgeados, que, ao eliminarem a oscilação dos juros, ficam mais expostos à variação do spread (prêmio pago acima do título público). Quando esse prêmio sobe, o preço do papel cai. Além disso, uma postura mais conservadora dos FIDCs após mudanças regulatórias e a queda dos juros dos títulos públicos também contribuíram para o cenário adverso.
Apesar da correção, as visões de mercado ainda são mistas. Alguns analistas veem oportunidades com os prêmios em alta, enquanto outros alertam que o carrego atual ainda não compensa o risco, comparado a alternativas como LCI ou LCA. A expectativa é que a saída de recursos continue, com o dinheiro precisando vir de algum lugar para alimentar outros investimentos.
