Fundo de Pensões de Itaipu tinha R$ 89,9 milhões investidos no Banco Ueno antes de intervenção

Destaques
- •Fundo de Pensões de Itaipu revela investimento de R$ 89,9 milhões no Banco Ueno, que teve intervenção do Banco Central do Paraguai por problemas de solvência.
- •O valor investido é 2,4 vezes maior do que o informado anteriormente pelo fundo e representa 2,8% de seus ativos totais.
- •A Cajubi afirma que buscará recuperar os recursos dos participantes, mas o montante investido excede em muito o limite de proteção do Fundo de Garantia de Depósitos.
O Fundo de Pensões de Itaipu (Cajubi) informou ter aproximadamente 100,692 bilhões de guaranis (cerca de R$ 89,9 milhões) investidos no Banco Ueno, instituição que teve sua resolução determinada pelo Banco Central do Paraguai (BC) na última segunda-feira (2) por problemas de solvência. O valor divulgado é 2,4 vezes superior aos 41,3 bilhões de guaranis (R$ 36,9 milhões) registrados no relatório anual do fundo referente ao fim de 2025.
A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC, citando o Comunicado nº 32/2026 da Cajubi, emitido em 4 de novembro. Neste comunicado, o fundo detalhou que o montante investido no Banco Ueno representa 2,8% de todos os seus ativos. O valor representa um aumento de 59,4 bilhões de guaranis (R$ 53,1 milhões) em relação ao balanço de 31 de dezembro de 2025, quando o fundo reportou 41,3 bilhões de guaranis aplicados por meio de certificados de depósito de poupança (CDs).
Alertas ignorados sobre a saúde do banco
A decisão do BC de intervir no Banco Ueno ocorreu após constatar que a instituição operava com menos da metade do capital mínimo exigido, colocando em risco os recursos de aposentados e pensionistas vinculados à Itaipu Binacional. Relatórios indicavam que o banco concedia empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador, o que levantou suspeitas desde junho de 2026.
O então presidente do BC, Carlos Carvallo, afirmou que a Superintendência de Bancos identificou indícios de irregularidades. Em setembro de 2026, o Senado paraguaio já havia solicitado ao BC relatórios sobre a situação do banco, demonstrando preocupação com sua estabilidade.
Critérios de investimento e responsabilidade
A Cajubi defendeu a escolha do Banco Ueno, alegando que a decisão foi baseada em critérios técnicos, como indicadores financeiros, informações públicas e regras do BC. O fundo também mencionou que o banco apresentava balanços auditados com níveis adequados de solvência e possuía classificação de risco AA-py, conforme divulgado pelo órgão regulador. Essas informações contrastam com a intervenção posterior.
O comunicado mais recente não especifica os tipos de investimento em que os R$ 89,9 milhões estão aplicados, nem a quais grupos de participantes o dinheiro pertence ou as datas de cada aplicação. O relatório anual de 2025 indicava que o fundo investiu 13,5 bilhões de guaranis (R$ 12,1 milhões) no Banco Ueno entre agosto e novembro daquele ano, sugerindo que a maior parte do aumento ocorreu em 2026, período em que já existiam alertas sobre os problemas do banco.
Proteção e próximos passos do fundo
No modelo de previdência adotado pela Cajubi, o Regime de Contribuição Definida (PCD), eventuais perdas em investimentos são divididas entre os participantes ativos. Isso difere do Instituto de Previdência Social (IPS), onde a instituição assume os prejuízos.
O Fundo de Garantia de Depósitos protege até 228,3 milhões de guaranis por pessoa em cada instituição financeira. O valor investido pela Cajubi no Banco Ueno, no entanto, equivale a cerca de 441 vezes esse limite, e o comunicado não esclarece como essa proteção se aplicaria aos recursos do fundo. A Cajubi declarou que fará todos os esforços para recuperar o dinheiro de seus participantes.
Matérias originais
- Fundo de pensões de Itaipu tem quase R$ 90 mi no Banco Ueno · poder360.com.br



