Fumaça passiva de cigarro afeta mineralização do esmalte dentário em ratos

Destaques
- •Estudo em ratos revela que exposição à fumaça de cigarro altera a composição do esmalte dentário.
- •Alterações incluem aumento do espaço entre prismas e redução de fósforo, impactando dureza e resistência.
- •Pesquisadores investigam se a exposição passiva pode ser causa de defeitos como hipomineralização molar-incisivo em crianças.
Exposição passiva à fumaça de cigarro nos primeiros dias de vida pode deixar marcas permanentes no esmalte dentário, mesmo sem alterações visíveis. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), realizado em modelo animal, aponta que a fumaça altera a mineralização do esmalte, uma estrutura que funciona como um registro biológico de exposições precoces.
A pesquisa, publicada na revista Calcified Tissue International, expôs filhotes de ratos à fumaça de cigarro. Os animais apresentaram menor ganho de peso e, em análises microscópicas, foi identificado aumento do espaço entre os prismas do esmalte e redução nos níveis de fósforo, componente essencial para a dureza do dente. Houve também aumento de carbono, indicando maior presença de material orgânico, o que não é normal para o esmalte.
A teoria DOHaD (Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença) sugere que problemas de saúde na vida adulta têm origem nos primeiros anos de vida.
Essas alterações na composição química do esmalte podem afetar a resistência e a dureza do dente ao longo do tempo. Os cientistas levantam a hipótese de que o tabagismo passivo possa ser uma das causas de defeitos como a hipomineralização molar-incisivo, que afeta cerca de 20% das crianças, deixando o esmalte mais frágil e suscetível a cáries e fraturas. Uma nova etapa da pesquisa busca entender o impacto de uma exposição mais intensa.