Fórmula 1: 5 tecnologias das pistas que já estão em carros de rua no Brasil

Destaques
- •Tecnologias desenvolvidas para a Fórmula 1, como câmbio no volante e recuperação de energia, já são comuns em carros de passeio no Brasil.
- •O controle de tração, obrigatório em todos os carros vendidos no país desde 2024, teve sua origem nas pistas.
- •A evolução da telemetria na F1 também se reflete em sensores de pneus e injeção em modelos populares.
A Fórmula 1, conhecida por ser um espetáculo de alta velocidade, também serve como um laboratório de engenharia para o desenvolvimento de tecnologias que, com o tempo, chegam aos carros de rua. Cinco inovações que surgiram nas pistas de corrida já estão presentes em veículos que circulam pelo Brasil, tornando os carros mais seguros, eficientes e confortáveis.
Um dos exemplos mais visíveis é o câmbio com trocas de marcha no volante. O que hoje é comum em carros automáticos e semiautomáticos, permitindo trocas rápidas sem tirar as mãos do volante, teve sua origem na Fórmula 1. Até 1989, os pilotos utilizavam um câmbio convencional, mas a Ferrari, em 1990, introduziu um sistema semiautomático com trocas no volante, desenvolvido pelo engenheiro John Barnard. Essa tecnologia evoluiu e, em 1997, já equipava um carro de rua da Ferrari. Atualmente, o recurso está disponível até em modelos mais acessíveis, como o Volkswagen Polo Sense.
Recuperação de energia: do KERS aos híbridos e elétricos
A tecnologia de recuperação de energia, fundamental para carros híbridos e elétricos, também nasceu nas pistas. Em 2009, a Fórmula 1 introduziu o KERS (Sistema de Recuperação de Energia Cinética), que permitia converter a energia gerada nas frenagens em energia elétrica para um impulso extra. Esse princípio é a base dos sistemas atuais, onde os carros recuperam energia durante a desaceleração para recarregar a bateria.
Na Fórmula 1 moderna, cerca de 50% da potência de um carro já vem do motor elétrico, com foco também na redução de emissões e consumo. Nos carros de rua, essa recuperação de energia não só auxilia na eficiência energética, mas também pode aumentar a autonomia. Um exemplo é a descida de serra entre São Paulo e Santos, onde um carro pode recuperar mais de 40 km de autonomia apenas com essa frenagem regenerativa. Essa tecnologia está presente desde o Renault Kwid, um dos carros elétricos mais baratos do Brasil, até modelos mais sofisticados.
Aerodinâmica e controle de tração: segurança e desempenho
A aerodinâmica ativa, que ajusta o fluxo de ar para otimizar o desempenho do carro em diferentes situações (como curvas e retas), é outro recurso originário da Fórmula 1. A asa móvel, por exemplo, altera a resistência ao ar para aumentar a eficiência. Embora ainda mais comum em carros esportivos de alta performance, como modelos da Porsche que possuem aerofólios móveis automáticos para maior estabilidade em altas velocidades, a busca por melhor desempenho impulsiona essa tecnologia.
O controle de tração, essencial para a segurança em carros de rua, também tem suas raízes na Fórmula 1. Desenvolvido entre as décadas de 1980 e 1990, o sistema reduz a potência do motor quando sensores detectam que as rodas estão patinando. Desde 2024, o controle de tração é obrigatório em todos os carros vendidos no Brasil, visando aumentar a estabilidade em curvas e desvios bruscos, atuando quando o movimento da direção não corresponde ao trajeto do veículo.
Telemetria: sensores que monitoram o carro
A telemetria, coleta de dados em tempo real sobre o funcionamento do veículo, é crucial para as equipes de Fórmula 1. Essa tecnologia evoluiu para incluir diversos sensores em carros de rua. Modelos mais acessíveis já contam com sensores de pressão e temperatura dos pneus, que indicam a necessidade de calibragem, e sensores na injeção de combustível, que monitoram a qualidade do etanol ou gasolina.
Além disso, sensores avaliam a eficiência da condução para economizar combustível e monitoram o nível do tanque. Em carros como Hyundai Creta, Chevrolet Tracker e Volkswagen T-Cross, esses dados são coletados e, em alguns casos, podem ser acessados via aplicativos no celular. Na Fórmula 1, essa monitoração em tempo real orienta decisões estratégicas sem a necessidade de parar o carro nos boxes.



