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Florian Bartunek: 'Um olho no cliente e outro no caixa' para sobreviver a crises

31 de outubro de 2026
Florian Bartunek: 'Um olho no cliente e outro no caixa' para sobreviver a crises

Destaques

  • •Florian Bartunek, fundador da Constellation Asset Management, defende a gestão financeira equilibrada com o foco no cliente como chave para a longevidade empresarial.
  • •O "Warren Buffett brasileiro" alerta para os riscos do crescimento acelerado e a importância de investir em inovação, como a inteligência artificial, de forma estratégica.
  • •Bartunek também ressalta a necessidade de uma cultura empresarial forte, gestão de talentos e resiliência diante de cenários econômicos adversos.

Em um cenário de juros elevados e incerteza econômica, a sobrevivência e o crescimento de empresas dependem de uma combinação de foco no cliente e controle financeiro rigoroso. A recomendação é de Florian Bartunek, fundador da Constellation Asset Management, conhecido como o "Warren Buffett brasileiro", que resumiu sua filosofia em mais de 30 anos de mercado com a frase: "Um olho no cliente e outro no caixa". A declaração foi feita durante o G4 Valley, em São Paulo.

Bartunek enfatizou que a longevidade de um negócio está mais ligada à capacidade de atravessar períodos difíceis sem comprometer a estrutura financeira do que à velocidade de expansão. Ele alertou que a ânsia por crescimento rápido pode ser uma armadilha, levando a riscos desnecessários. "Tem gente muito aflita querendo ficar rico muito rápido. Mas quando você fica aflito para ficar rico muito rápido, corre mais risco de ficar pobre muito rápido", afirmou.

O ajuste do ritmo de crescimento

A orientação é especialmente crucial para pequenas e médias empresas, que enfrentam maiores dificuldades de acesso a crédito e operam com margens apertadas. Bartunek aconselha que o ritmo de crescimento seja ajustado à disponibilidade de caixa. "Vou crescer de acordo com a minha capacidade de caixa", disse, preferindo levar mais tempo para atingir metas a comprometer a sobrevivência da empresa.

No entanto, ele ressalta que momentos de crise podem ser oportunidades para empresas eficientes. "Uma empresa ruim quebra, uma empresa boa sobrevive, uma empresa espetacular cresce ainda mais", declarou, indicando que a turbulência pode favorecer a conquista de mercado por negócios mais sólidos.

Inteligência artificial e inovação estratégica

Apesar da prudência financeira, Bartunek defende o investimento em inovação, destacando a inteligência artificial (IA) como uma oportunidade para melhorar a produtividade e reduzir custos. Ele sugere que os empreendedores experimentem a tecnologia de forma gradual e direcionada, focando em resolver problemas concretos.

Bartunek observou que a IA democratiza o acesso a ferramentas antes restritas a grandes companhias, permitindo que empresas de todos os portes utilizem tecnologias avançadas. Ele exemplificou a redução de tempo em tarefas, que pode aumentar a capacidade operacional sem elevar custos proporcionalmente. Contudo, ressaltou que o julgamento humano continua essencial, especialmente em processos seletivos, e que a implementação efetiva da IA requer capacitação prática, não apenas inspiração teórica.

Cultura empresarial e gestão de talentos

A construção de uma cultura organizacional forte, que sobreviva à ausência do fundador, é outro fator decisivo para a longevidade. Bartunek propõe o "teste da boa cultura": observar o comportamento dos funcionários na ausência do empresário. Se os valores e padrões de comportamento se mantêm, a estrutura é sólida.

Na gestão de pessoas, ele defende uma combinação de meritocracia, generosidade e exigência. Bartunek alerta que remunerar igualmente profissionais de alto e baixo desempenho pode levar à perda dos melhores talentos. "Se eu pagar os melhores igual eu pago os piores, os melhores vão embora", disse. Ele também considera essencial reconhecer talentos, compartilhar decisões e remunerar adequadamente quem contribui para o crescimento, lembrando que, assim como o tenista Roger Federer depende de uma equipe, nenhum empreendedor constrói uma empresa de sucesso sozinho.

Resiliência em tempos de crise econômica

Bartunek relativizou o pessimismo em relação à economia brasileira, lembrando de crises passadas como o confisco da poupança e a pandemia de Covid-19, e afirmou que "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe". Ele aconselha que os empresários foquem no que está sob seu controle, como melhorar produtos e atender clientes, em vez de tentar prever todos os desdobramentos políticos e econômicos.

Para o varejo, setor que considera um dos mais difíceis, a recomendação é ser ainda mais conservador, ir mais devagar e manter proximidade com o consumidor. A postura do líder também é fundamental, pois o desânimo pode transmitir insegurança à equipe. Bartunek encoraja os empreendedores a não permitirem que o pessimismo paralise a empresa, focando em perguntas como "o que eu posso fazer de bom para o meu cliente?", combinando disciplina financeira, investimento em tecnologia, valorização das pessoas e persistência para sair mais fortes das crises.

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