Fitch Ratings: Reeleição de Lula eleva incertezas fiscais no Brasil

Destaques
- •Agência de risco Fitch Ratings aponta aumento de incertezas fiscais com a reeleição de Lula.
- •Dificuldade na estabilização da dívida pública em relação ao PIB é o principal ponto de atenção.
- •Fitch acompanhará a composição da equipe econômica e as primeiras sinalizações sobre ajustes fiscais.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings avaliou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva eleva as incertezas fiscais no Brasil, o que pode dificultar uma estabilização duradoura da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em nota divulgada nesta segunda-feira (27), a agência afirmou que não está claro se Lula manterá, em seu quarto mandato, a agenda de maiores gastos sociais, financiados por receitas maiores.
A Fitch ponderou que o perfil crescentemente independente e de centro-direita do Congresso Nacional pode ser um obstáculo ao avanço de medidas nessa linha. A agência destacou que, na reta final da campanha eleitoral, Lula adotou uma série de medidas para ampliar gastos sociais que podem entrar em conflito com sua promessa de cumprir o arcabouço fiscal vigente.
Cenário fiscal e dívida pública
O cenário-base da Fitch prevê apenas uma consolidação fiscal gradual, o que seria insuficiente para estabilizar a relação dívida/PIB, a menos que uma reação adversa do mercado force um ajuste mais acentuado. A agência já havia destacado em junho de 2026 que grandes déficits fiscais e incertezas em torno do ajuste fiscal permaneciam como um risco para o país. Na ocasião, a Fitch afirmou a classificação de risco de longo prazo do Brasil em 'BB', com perspectiva estável.
Próximos passos e monitoramento
A agência ressaltou que o déficit geral do governo é projetado para aumentar para 8,6% do PIB em 2026, ante 8,1% em 2025, enquanto a dívida é projetada para subir para 82,4% do PIB em 2026, de 78,6% em 2025. A Fitch afirmou que acompanhará a composição da equipe econômica e as primeiras sinalizações do presidente Lula e de sua equipe sobre ajustes fiscais.



