Filme "100 Dias" de Amyr Klink estreia com produção de Paula Cosenza

Destaques
- •O filme "100 Dias", que narra a travessia solitária do navegador Amyr Klink, chega aos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (29).
- •A produção, que levou quase dez anos para ser articulada, envolveu a Disney e coprodução com a Finlândia, destacando a engenharia financeira e criativa do papel da produtora Paula Cosenza.
- •O longa busca consolidar a força do cinema nacional no mercado internacional e trazer novas paisagens e olhares para as narrativas brasileiras.
O filme "100 Dias", que adapta a travessia solitária do navegador Amyr Klink, estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta-feira (29). O projeto, que exigiu quase dez anos de articulações, conta com a produção de Paula Cosenza e envolveu a Disney, além de uma coprodução com a Finlândia.
Paula Cosenza, que adquiriu os direitos do filme com Marina Klink, descreve o projeto como épico e destaca que o trabalho da produtora se estende por muitos anos antes e depois das filmagens. A função da produtora vai desde a engenharia financeira do filme, combinando fundos públicos e privados, até a busca por parceiros criativos, talentos e a condução de negócios com distribuidores e coprodutores internacionais.
O papel criativo da produtora
Cosenza enfatiza que o papel do produtor é imensamente criativo, comparando-o ao de um produtor musical ou editor de livros. O produtor é o alicerce e a ponte entre a ideia criativa e a sua realização concreta, atuando em todas as etapas, desde a concepção até a venda final em festivais.
A produtora, cofundadora do Ventre Studio e da recém-lançada Trema, sediada em Recife, possui mais de duas décadas de experiência. Ela já articulou coproduções internacionais e firmou parcerias com grandes nomes como Netflix, Disney, HBO, FOX, Warner Bros., Sony Pictures e Globo.
Força e visão do cinema nacional
Ao retornar ao Brasil em 2006, Paula Cosenza encontrou um mercado em estruturação com a Ancine e o fortalecimento de produtoras independentes. Ela vê o cinema brasileiro como uma potência, com um público de 220 milhões de pessoas, e o mercado externo como fonte de financiamento e parcerias.
Projetos anteriores de Cosenza ganharam destaque internacional, como "Violeta Foi Para o Céu" (Festival de Sundance), "Ausência" (Berlim) e "Casa de Antiguidades" (Festival de Cannes). Com a Trema, fundada com o diretor Gabriel Mascaro, ela mira talentos latino-americanos e parcerias internacionais, inclusive para séries independentes.
Liderança feminina e novos olhares
Paula Cosenza é uma defensora da paridade de gênero no cinema e busca ativamente trabalhar com mulheres em posições de liderança, como em sua produção da série "João Sem Deus", que teve equipes femininas de roteiro, direção e fotografia.
Para a nova geração, ela aconselha que as produtoras sejam parceiras criativas, proponham novas histórias e não aceitem ser apenas executoras. A produtora também defende o deslocamento do eixo geográfico das narrativas, levando histórias para cidades como Recife, Belo Horizonte e Salvador, explorando diferentes olhares e paisagens do Brasil.



