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Fiji declara emergência nacional por aumento de casos de HIV e prática de 'bluetoothing'

30 de outubro de 2026
Fiji declara emergência nacional por aumento de casos de HIV e prática de 'bluetoothing'

Destaques

  • •Fiji declarou estado de emergência nacional devido a um aumento alarmante de casos de HIV, que elevou a proporção de adultos vivendo com o vírus para 1 em 60.
  • •A crise é agravada pela prática de 'bluetoothing', onde usuários de drogas compartilham sangue para obter o efeito da droga, aumentando o risco de transmissão do HIV e outras infecções.
  • •Agentes de saúde pressionam governos e agências internacionais a levarem a sério a prática, enquanto a OMS investiga a extensão do problema, com relatos de casos semelhantes em países africanos.

Fiji declarou estado de emergência nacional na semana passada devido a um aumento acelerado nos casos de HIV, transformando o arquipélago do Pacífico em um dos principais focos de expansão da epidemia global. Atualmente, aproximadamente um em cada 60 adultos no país vive com o vírus, um aumento significativo em comparação com um em cada 167 há cinco anos. A situação serve como um lembrete de que, apesar do progresso global, o HIV e a AIDS continuam sendo uma ameaça em algumas regiões.

Um fator que agrava a crise recente é a prática alarmante conhecida como 'bluetoothing', onde usuários de drogas compartilham sangue. O método consiste em retirar sangue de alguém que acabou de consumir uma droga e injetá-lo em outra pessoa para que esta obtenha o mesmo efeito, sendo uma forma de economizar dinheiro e fazer drogas intravenosas renderem mais. Essa prática também foi observada em países africanos como Lesoto, Zimbábue e África do Sul.

Por que o 'bluetoothing' é tão arriscado?

O HIV é uma doença transmitida pelo sangue, e o compartilhamento direto de sangue, seja por meio de agulhas ou pela prática do 'bluetoothing', representa um risco elevado de transmissão do vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que essa prática cria um "risco excepcionalmente alto" de transmissão de outras infecções, como hepatite B e C, além de infecções bacterianas graves. Em Fiji, o acesso a equipamentos de injeção esterilizados pode ser difícil, e a pobreza é apontada como um dos principais fatores por trás dessa prática perigosa.

Agentes comunitários de saúde, como Kalesi Volatabu, diretor executivo da ONG Drug Free Fiji, expressam preocupação com a rápida disseminação do vírus através dessa prática. "Quantas vidas precisamos perder antes de realmente fazermos algo a respeito?", questiona Volatabu, que testemunhou a prática e estima que cinco pessoas envolvidas possam infectar de 25 a 30 outras.

O que dizem as autoridades e a OMS?

Em janeiro de 2024, o Ministério da Saúde de Fiji reconheceu o 'bluetoothing' como um dos fatores contribuintes para o aumento dos casos de HIV, descrevendo o surto como uma "crise nacional" e anunciando um programa de distribuição de seringas e agulhas. No entanto, a OMS, após uma avaliação rápida em dezembro do ano passado, indicou haver poucas evidências que sugerissem que o uso do 'bluetoothing' fosse generalizado em Fiji. Uma pesquisa com 56 usuários de drogas injetáveis revelou que apenas dois relataram praticar o compartilhamento de sangue, e quatro disseram ter presenciado a prática.

Apesar das divergências sobre a extensão do problema, Volatabu acredita que o estigma e a vergonha em torno do uso de drogas injetáveis dificultam que o governo de Fiji lide efetivamente com a questão. A falta de reconhecimento da prática por alguns profissionais de saúde, que a consideram impossível, também é um obstáculo.

HIV no mundo e práticas similares

Globalmente, estima-se que cerca de 41 milhões de pessoas vivam com HIV, segundo a Unaids. Os avanços no tratamento, como a terapia antirretroviral (TARV), melhoraram significativamente a expectativa de vida. Em 2024, cerca de 570 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao HIV, uma redução de 73% em comparação com o pico de 2004. Contudo, novas infecções aumentaram em 21 países em 2024, incluindo o Brasil.

Práticas semelhantes de compartilhamento direto de sangue foram documentadas em outros lugares, como o 'flashblood' na Tanzânia. No Lesoto, que possui a segunda maior taxa de prevalência de HIV do mundo, grupos como a Mokhosi oa Mangoana combatem o problema em "trap houses", imóveis abandonados usados para venda e consumo de drogas. Ponto Tumisi, membro do grupo, relata que o 'bluetoothing' ocorre mesmo sem o conhecimento da compatibilidade sanguínea ou de doenças, sendo um risco adicional.

Próximos passos

O Ministério da Saúde de Fiji implementará um programa de distribuição de seringas e agulhas como parte de sua resposta à crise. A OMS continua monitorando a situação e avaliando a extensão de práticas de risco como o 'bluetoothing', enquanto agentes de saúde e ONGs pressionam por ações mais efetivas para combater a epidemia e o compartilhamento de sangue.

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