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FGV: Empresas 'zumbis' são estruturais no Brasil, não cíclicas

27 de outubro de 2026
FGV: Empresas 'zumbis' são estruturais no Brasil, não cíclicas

Destaques

  • •Estudo da FGV aponta que empresas com fragilidade financeira persistente são um problema estrutural no Brasil.
  • •Pesquisa analisou 375 companhias listadas na B3 entre 2010 e 2024, identificando um padrão de dependência de crédito e baixa geração de resultados.
  • •A análise de trajetória financeira é crucial para o mercado de crédito, antecipando riscos antes da inadimplência formal.

Empresas com fragilidade financeira persistente, conhecidas como 'zombie firms', representam um problema estrutural e não apenas cíclico no Brasil. A constatação é de uma pesquisa da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV), que analisou dados de 375 companhias listadas na B3 entre 2010 e 2024. Essas empresas, que continuam em operação apesar de baixa capacidade de gerar resultados e alta dependência de crédito, exibem sinais de pressão financeira antes de chegarem à inadimplência formal ou à recuperação judicial.

O estudo, intitulado “Zombie firms no Brasil: fragilidade financeira, contágio setorial, pandemia de covid-19 e recuperação judicial”, utilizou uma metodologia que avalia a trajetória financeira das companhias. Um dos critérios para identificar essas empresas é uma média do Índice de Cobertura de Juros inferior a 1 nos últimos oito trimestres, indicando que o lucro operacional não é suficiente para cobrir as despesas financeiras de forma consistente.

Sinais de Alerta Financeiro

A pesquisa da EESP-FGV destacou que a inadimplência, definida pelo Banco Central como um atraso superior a 90 dias em parcelas, é um indicador tardio para o mercado de crédito. Instituições financeiras que esperam esse estágio para tomar decisões sobre concessão de crédito ou limites podem estar reagindo a eventos já consolidados.

Entre as empresas classificadas como 'zumbis', o estudo identificou um aumento de 8,1% no uso de crédito de curto prazo e uma redução de 10,7% no de longo prazo. Essa mudança no comportamento de endividamento é associada a uma maior vulnerabilidade a choques de liquidez, sinalizando uma deterioração financeira.

A Importância da Trajetória no Risco de Crédito

A análise de risco de crédito ganha uma nova dimensão ao considerar a trajetória financeira de uma empresa, e não apenas sua fotografia em um determinado momento. Duas companhias com indicadores financeiros semelhantes hoje podem ter riscos distintos dependendo de sua evolução.

Uma empresa pode estar se recuperando de um período difícil, enquanto outra pode estar consumindo suas reservas de caixa de forma contínua. Ignorar essa diferença pode levar a erros como conceder crédito a uma empresa em deterioração ou negar recursos a uma companhia saudável que enfrenta apenas uma pressão temporária. A análise de fluxo de caixa, recorrência de receitas, compromissos assumidos e uso de crédito são essenciais para entender a direção que a empresa está tomando.

Análise para Pequenas e Médias Empresas

Para pequenas e médias empresas (PMEs), a leitura da trajetória financeira é ainda mais crucial. Muitas PMEs não possuem um volume extenso de demonstrações financeiras ou histórico público disponível. No entanto, sua movimentação financeira diária fornece informações valiosas sobre o funcionamento do negócio.

No crédito para Pessoa Jurídica (PJ), entender para onde uma empresa está caminhando, seus padrões de fluxo de caixa e endividamento, pode ser tão importante quanto saber sua situação financeira atual. A pesquisa da FGV reforça a necessidade de um olhar mais aprofundado sobre os sinais antecedentes de fragilidade financeira para uma gestão de risco mais eficaz no mercado de crédito brasileiro.

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