Fertilizante: Rússia vira jogo de guerra e mira sanções

Destaques
- •Bloqueio do Estreito de Ormuz pressiona oferta global de fertilizantes, beneficiando a Rússia.
- •Kremlin usa acesso a fertilizantes como moeda de troca para flexibilizar sanções.
- •EUA já cederam em sanções contra produtores bielorrussos; UE pode ser o próximo alvo.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, que antes afetava o comércio global de fertilizantes, acabou virando um trunfo para a Rússia. Com o gargalo logístico, o país, segundo maior produtor e maior exportador mundial, se posiciona como alternativa principal, especialmente para o agronegócio de gigantes como o Brasil.
Agora, o Kremlin transforma o acesso a esses insumos vitais em uma ferramenta de barganha diplomática. A ideia é clara: oferecer fertilizantes em troca de apoio, tanto no Sul Global quanto nos EUA e Europa, para conseguir a flexibilização das sanções ocidentais.
A estratégia, que lembra a diplomacia das vacinas contra a Covid-19, já mostra resultados. Os Estados Unidos suspenderam sanções contra fabricantes bielorrussos, e a União Europeia pode ser a próxima a sentir a pressão, especialmente com a questão do cádmio em fertilizantes marroquinos.
A Rússia, mesmo com limitações de produção e ataques a fábricas, capitaliza a narrativa de que é a única a socorrer o Sul Global, enquanto pressiona o Ocidente a aliviar sanções. O sucesso dessa "diplomacia dos fertilizantes" já é um feito para Moscou, independentemente da reabertura de Ormuz.




