Família doa órgãos de goleiro sub-15 e beneficia até seis pessoas

Destaques
- •Órgãos do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, foram captados após decisão familiar.
- •Coração, córneas, rins e fígado do adolescente poderão salvar a vida de até seis pessoas.
- •Brasil é referência mundial em transplantes, mas enfrenta desafio na captação de doadores.
A família do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos, do sub-15 do São José, optou pela doação de órgãos do adolescente após a constatação de sua morte encefálica. A decisão deve beneficiar até seis pessoas, com a captação de coração, córneas, rins e fígado. A enfermeira Karina Higa, da Comissão de Doação e Transplantes do Hospital Municipal de São José, explicou que o coração precisa ser transplantado em até quatro horas após a captação, enquanto outros órgãos têm um prazo maior.
No Brasil, a doação de órgãos é um ato de solidariedade que depende da autorização familiar, sendo fundamental que a pessoa expresse seu desejo em vida. Atualmente, existem duas formas de manifestar essa vontade: através da nova carteira de identidade e pela autorização eletrônica para doação de órgãos (AEDO).
Como se tornar um doador de órgãos no Brasil
A nova carteira de identidade permite que o cidadão se declare doador de órgãos no verso do documento. Para isso, é preciso informar o desejo no momento da emissão. Caso a pessoa já tenha se declarado doador em uma carteira antiga, o documento ainda é válido até 2032. Para quem não possui essa indicação e deseja ser doador, a emissão de um novo documento é o caminho.
Desde abril deste ano, é possível formalizar a vontade de ser doador através da Autorização Eletrônica para Doação de Órgãos (AEDO), um documento oficial e digital. O processo é realizado pelo site www.aedo.org.br, onde o interessado preenche um formulário. Após o envio, um cartório entra em contato para confirmar os dados por videochamada. A declaração não tem custo e a Central Nacional de Doadores de Órgãos é notificada via CPF.
Desafios e números da fila de transplantes
O Brasil é reconhecido mundialmente pela excelência em transplantes, mas ainda enfrenta a dificuldade de aumentar o número de doadores, o que leva à morte de muitos pacientes na fila de espera. Segundo dados do Ministério da Saúde, quase 50 mil pessoas aguardam por um órgão. A maioria espera por um rim (mais de 46 mil), seguida por fígado (2.377) e coração (516). A fila para transplante de córneas conta com mais de 38 mil pessoas.
Para ser doador de órgãos sólidos, é necessário ter morte encefálica confirmada, com o coração ainda batendo, para permitir a retirada dos órgãos. Já as córneas podem ser doadas independentemente da causa da morte, e a medula óssea pode ser doada em vida. Pessoas com doenças como diabetes, hipertensão, hepatites B e C, ou até mesmo HIV (em casos específicos nos EUA), podem ser doadoras, desde que a saúde do órgão seja avaliada.
Quem não pode doar e como funciona a fila
Existem poucos impedimentos para a doação após a morte, como infecção ativa grave no órgão a ser doado, câncer ou HIV. Pacientes que morrem de Covid-19 com teste positivo também são contraindicados para doação de órgãos e tecidos. Órgãos como pulmão e coração são mais difíceis de encontrar devido à necessidade de compatibilidade de tamanho entre doador e receptor.
A maioria dos transplantes no Brasil é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes são cadastrados em uma lista nacional de espera, que considera fatores como localização do órgão e do receptor, compatibilidade imunológica ou gravidade do paciente, e tempo de espera. Em caso de empate nos critérios, o tempo de fila é o fator decisivo.



