Executivos gastam 60% do tempo em tarefas operacionais, diz especialista

Destaques
- •Especialista em OKR aponta que alta administração dedica a maior parte do tempo a demandas burocráticas, travando o crescimento.
- •Adoção de OKR contínuo e hiperautomação são apontadas como soluções para otimizar processos e focar em resultados estratégicos.
- •A tecnologia deve apoiar, mas a decisão final e a estratégia de negócio permanecem com o fator humano.
Cerca de 60% do tempo da alta administração e executivos C-level é gasto em tarefas operacionais e burocráticas, o que impede o crescimento das empresas e a transformação de planejamentos em entregas práticas. A constatação é de Bruno Perin, especialista em OKR (Objetivos e Resultados-Chave), que participou do podcast É Mais Que Tech, da Senior Sistemas.
Segundo Perin, a confusão entre estar ocupado e ser produtivo real faz com que operações burocráticas consumam o expediente sem gerar valor direto para o negócio. Ele critica modelos de planejamento engessados que tentam prever cenários rígidos, em vez de focar no impacto real. "Nós estamos chamando de ‘produtividade’ o que deveríamos estar chamando de ‘ocupação’", afirma.
O que é OKR contínuo e como ele ajuda
Para romper esse ciclo, Perin defende a migração para o OKR contínuo, estruturado em ciclos curtos de revisão semanal ou mensal. Esse formato permite que a equipe valide hipóteses rapidamente, meça o que realmente gera valor e descarte tarefas que apenas geram volume de trabalho sem resultado prático.
A metodologia OKR, sigla para Objectives and Key Results (Objetivos e Resultados-Chave), foca em definir metas claras e mensuráveis para impulsionar o desempenho.
Tecnologia e hiperautomação para otimizar processos
Rafael Liberato, head de negócios da Senior Flow, plataforma de produtividade empresarial com IA da Senior Sistemas, aponta que a sobrecarga diária é alimentada pela falta de integração entre os setores da empresa. Isso força o colaborador a fazer a ponte manual entre diferentes sistemas.
Liberato explica que a hiperautomação, que atua na orquestração de jornadas completas de ponta a ponta, conecta desde a entrada de uma demanda de cliente até a consulta em sistemas de gestão empresarial (ERP) e a tomada de pré-decisão por inteligência artificial. O objetivo é tirar essa sobrecarga do colaborador, permitindo que ele foque em atividades que geram valor.
Ele ressalta, contudo, que a tecnologia não resolve processos desorganizados. "Se o seu processo está bagunçado, não adianta automatizar, porque você só vai automatizar a bagunça", pontua.
O papel do fator humano e a IA
Apesar dos avanços em simulação de cenários e automação, a sensibilidade estratégica e o julgamento crítico continuam sendo competências exclusivamente humanas. As ferramentas analíticas existem para acelerar diagnósticos e fornecer dados precisos, mas a construção de relacionamentos e as escolhas de alto impacto permanecem sob responsabilidade dos profissionais.
Liberato reforça que o direcionamento final do negócio não pode ser delegado às máquinas. "A IA não vai substituir um bom vendedor, um bom relacionamento com o cliente ou montar uma estratégia de negócio. Ela vai ajudar, apoiar e buscar dados, mas a decisão sempre estará com alguém da operação", conclui.
O retorno sobre o investimento (ROI) da tecnologia, segundo o especialista, não deve ser medido por cortes de pessoal, mas pela capacidade de escala, permitindo que a empresa multiplique seu faturamento sem precisar dobrar o tamanho da equipe.


