Executiva da Anglo American defende neutralidade do Brasil em minerais críticos

Destaques
- •Executiva da Anglo American no Brasil defende que o país não tome partido na corrida global por minerais críticos.
- •Brasil possui vastas reservas de terras raras, essenciais para tecnologias verdes e defesa, mas enfrenta o desafio de equilibrar relações com China e EUA.
- •A executiva pede regras claras e agilidade na regulamentação da nova política mineral para atrair investimentos e garantir previsibilidade.
A principal executiva da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, defendeu que o país evite tomar partido na corrida global por minerais críticos e busque abastecer nações de todos os blocos geopolíticos. "Temos que negociar com todo mundo. Não tem porque a gente escolher um lado", afirmou Sanches em entrevista na segunda-feira (26).
O Brasil detém uma das maiores reservas mundiais de terras raras, componentes essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas e drones, ficando atrás apenas da China. Com o país sul-americano buscando capitalizar seus recursos minerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará o desafio de equilibrar as relações comerciais com a China, seu principal parceiro, e com os Estados Unidos, que buscam diversificar suas fontes de minerais críticos para reduzir a dependência de Pequim.
Brasil deve agir com clareza e agilidade
Sanches instou o Brasil a agir rapidamente na definição de regras claras para sua nova política de minerais críticos. O objetivo é oferecer às mineradoras maior previsibilidade para seus investimentos. Um projeto de lei aprovado em setembro confere poderes especiais a um conselho governamental para aprovar fusões, aquisições e contratos de fornecimento, além de incentivos para o processamento interno, mas ainda aguarda regulamentação.
"O governo tem que exercer seu papel. Não vejo nada de errado nisso", disse Sanches, que também preside o conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). "Mas temos que ter clareza do que isso significa e como será executado." Ela ressaltou a necessidade de estabelecer critérios e prazos claros na regulamentação da nova política mineral.
Agenda mineral e minério de ferro de alta qualidade
Combater a mineração ilegal, expandir o mapeamento geológico e tornar o processo de licenciamento mais previsível são outros pontos fundamentais para o setor, cuja agenda "deve avançar independentemente do governo eleito", segundo a executiva. Sanches também defendeu que o Brasil trate o minério de ferro de alta qualidade como um mineral crítico, dado o seu papel crescente na descarbonização da produção de aço.
A executiva mencionou que, embora a fusão planejada da Anglo American com a Teck Resources Ltda. esteja prestes a criar uma nova gigante do cobre, as operações brasileiras continuarão focadas em minério de ferro de alta qualidade. A Anglo American vendeu recentemente suas operações de níquel no Brasil para a chinesa MMG Ltd., em um acordo de US$ 500 milhões que busca evitar um possível veto da União Europeia.
Operações da Anglo American no Brasil
As operações da Anglo American no Brasil concentram-se no projeto Minas-Rio, em Minas Gerais e Rio de Janeiro. O projeto inclui uma operação de minério de ferro totalmente integrada, com mina, planta de processamento, oleoduto e porto. O minério extraído possui alta qualidade, com teor de ferro em torno de 67%.
Apesar da queda de 12% nos preços realizados da Minas-Rio no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, devido a custos de frete mais elevados, Sanches afirmou que a empresa não planeja reduzir a produção. Ela espera que o preço do frete retorne a patamares normais. Interrupções logísticas globais levaram a empresa a redirecionar cargas, mas a produção segue sem alterações.
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- Brasil deve ‘negociar com todos’ em minerais críticos, diz Anglo · investnews.com.br



