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Ex-embaixador critica falta de planejamento de longo prazo no Brasil

01 de novembro de 2026
Ex-embaixador critica falta de planejamento de longo prazo no Brasil

Destaques

  • •Rubens Barbosa aponta que o Brasil carece de visão estratégica há duas décadas, impactando o desempenho econômico.
  • •A composição ministerial do próximo governo é vista como crucial para definir prioridades e enfrentar desafios complexos.
  • •O ex-embaixador defende decisões focadas no interesse nacional, superando disputas ideológicas e partidárias.

O Brasil precisa de uma visão estratégica de médio e longo prazo para navegar em um cenário internacional cada vez mais complexo, e a escolha dos ministros é fundamental para isso. A avaliação é de Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Londres e Washington, que critica a falta de planejamento de longo prazo no país nas últimas duas décadas.

Segundo Barbosa, a ausência de uma visão estratégica e de planejamento tem sido um fator que explica o desempenho modesto da economia brasileira, que cresce abaixo de seu potencial. Ele ressalta que o país tem capacidade de crescimento muito maior do que os 1% ou 2% registrados nos últimos anos.

Composição Ministerial e Inteligência Estratégica

Em entrevista ao WW Especial, Barbosa enfatizou a importância da composição ministerial para o futuro governo. Ele alertou que um ministério predominantemente político, focado em acomodações partidárias, terá dificuldades em lidar com as complexidades atuais. É necessária uma equipe minimamente técnica, com capacidade de entender as dificuldades e implementar decisões políticas estratégicas.

A falta de quadros técnicos capazes de definir prioridades pode levar o governo a "não saber para onde está indo", segundo o ex-embaixador. A inteligência estratégica, com uma visão de médio e longo prazo, é vista como essencial para o futuro do país.

Diagnósticos Feitos, Soluções Necessárias

Barbosa apontou que o problema do Brasil não reside na falta de diagnósticos sobre questões importantes, mas sim na ausência de ações concretas para implementar soluções. Ele citou como exemplos a transição energética e o crescimento do agronegócio, cujos diagnósticos já estão consolidados.

"Nós precisamos de soluções, aplicação de medidas concretas para defender o interesse da gente", declarou o ex-embaixador. Ele defende que as decisões políticas e econômicas deixem de lado disputas ideológicas e partidárias para priorizar o interesse nacional, considerando tanto os desafios externos quanto os internos.

Vulnerabilidades e Falta de Previdência

Entre as vulnerabilidades destacadas por Barbosa, a logística se sobressai. Apesar do forte comércio exterior brasileiro, a infraestrutura de transporte e o acesso aos portos continuam sendo gargalos significativos. "Você tem um comércio exterior de meio trilhão de dólares e não tem o porto, não tem estrada de ferro, não tem estrada de rodas, não tem acesso aos portos, os portos todos no Brasil estão com problemas", criticou.

Como exemplo da falta de previdência, o ex-embaixador lembrou a dependência do agronegócio em relação aos fertilizantes importados. A guerra na Ucrânia expôs essa fragilidade, revelando que 95% dos fertilizantes são importados. "Isso é uma falta de previdência do governo e do setor privado", afirmou, criticando o fato de temas concretos que afetam a economia e os interesses de emprego e renda serem deixados em segundo plano no debate político.

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