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Estudo: Mulheres temem admitir erros em ambientes com maioria masculina

02 de novembro de 2026
Estudo: Mulheres temem admitir erros em ambientes com maioria masculina

Destaques

  • •Pesquisa da London School of Economics revela que mulheres em equipes com mais de 75% de homens sentem menos segurança para admitir falhas.
  • •O receio está ligado à percepção de menor competência e a possíveis estigmas informais, mesmo que as punições formais sejam iguais às dos homens.
  • •O estudo sugere que líderes demonstrem transparência sobre seus próprios erros e que empresas criem redes de apoio para mulheres.

Um estudo conduzido pela London School of Economics (LSE), do Reino Unido, e publicado na revista Frontiers in Organizational Psychology, investigou como a proporção de gênero em ambientes de trabalho afeta a percepção e a admissão de erros por parte das mulheres. A pesquisa, que entrevistou mais de 1.400 profissionais do setor financeiro de Londres, revelou que mulheres em equipes predominantemente masculinas sentem menos conforto para admitir falhas e têm menor confiança de que a experiência resultará em aprendizado.

Em equipes onde três quartos ou mais dos integrantes são homens, as mulheres relataram sentir uma diferença significativa em comparação com homens na mesma situação. Elas demonstraram maior tendência a acreditar que seriam punidas por cometer erros e estavam menos inclinadas a encará-los como oportunidades de desenvolvimento profissional. Essa desconfiança se acentua quanto maior a predominância masculina no ambiente.

Percepção de erros em ambientes mistos

Os resultados consistentes da análise apontaram que ser mulher e trabalhar em um ambiente dominado por homens está associado a uma percepção mais negativa dos erros. Em contraste, homens demonstraram uma visão mais positiva das falhas em todas as dimensões analisadas, com pouca variação independentemente da composição da equipe. Em ambientes onde as mulheres são maioria, essa desconfiança em relação à admissão de erros desaparece, e suas opiniões se tornam tão positivas quanto as dos homens, ou até ligeiramente mais positivas.

A pesquisa também indicou que, embora homens e mulheres esperem as mesmas consequências formais diante de um erro, as mulheres sentem uma vulnerabilidade maior no campo psicológico e da reputação informal. Elas temem que admitir uma falha possa gerar questionamentos sobre sua competência ou criar estigmas implícitos que afetem seu status profissional.

Impacto organizacional e sugestões

A falta de segurança psicológica para mulheres em ambientes predominantemente masculinos pode ter consequências negativas para as organizações. Segundo Grace Lordan, autora principal do estudo, aprender com os erros é fundamental para a inovação. Se as mulheres se sentem menos livres para admitir equívocos, a organização perde não apenas confiança, mas também lições valiosas.

Para mitigar essa percepção negativa e apoiar as funcionárias, o estudo sugere que líderes de equipe, especialmente homens que comandam grupos majoritariamente masculinos, demonstrem transparência sobre seus próprios erros. Isso pode ajudar a criar um ambiente de trabalho mais seguro e aberto.

Adicionalmente, a pesquisa recomenda que as empresas implementem redes de mentoria e espaços de apoio onde as mulheres possam discutir falhas profissionais com confiança e sem receio de julgamentos. Essas iniciativas visam promover um ambiente mais equitativo e propício ao desenvolvimento profissional de todos.

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