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Estudo: Dieta rica em flavonoides pode não atingir recomendação para saúde do coração

30 de outubro de 2026
Estudo: Dieta rica em flavonoides pode não atingir recomendação para saúde do coração

Destaques

  • •Pesquisa indica que mesmo quem segue recomendações de frutas e hortaliças pode não ingerir quantidade ideal de flavonóis.
  • •Menos de 25% dos participantes atingiram a meta diária de 500 mg de flavonóis, essenciais para a saúde cardiovascular.
  • •Especialistas recomendam diversificar o cardápio com fontes como chá-verde, cacau e frutas com casca, sem substituir tratamentos médicos.

Mesmo quem adota a recomendação de consumir cinco porções diárias de frutas e hortaliças pode não estar ingerindo a quantidade ideal de substâncias benéficas para a saúde do coração. Um estudo publicado na revista Food & Function, que analisou dados de mais de 30 mil pessoas nos Estados Unidos e no Reino Unido, sugere que menos de 25% dos indivíduos que seguem as diretrizes alimentares atingem a ingestão considerada benéfica de cerca de 500 miligramas diários de flavonóis.

Os flavonóis pertencem à família dos flavonoides, compostos bioativos encontrados em alimentos de origem vegetal. Eles desempenham um papel importante na melhoria da função dos vasos sanguíneos, estimulam a produção de óxido nítrico — que promove a dilatação das artérias — e possuem ação antioxidante e anti-inflamatória. A pesquisa avaliou os hábitos alimentares dos participantes e utilizou biomarcadores urinários para estimar objetivamente o consumo desses compostos, confirmando que uma alimentação de melhor qualidade e maior ingestão de frutas e hortaliças leva a um maior consumo de flavonóis.

Por que a recomendação atual pode não ser suficiente?

Segundo os autores do estudo, a razão pela qual muitas pessoas não atingem a quantidade recomendada de flavonóis, mesmo seguindo as diretrizes gerais de consumo de frutas e hortaliças, é a variação na concentração desses compostos entre os diferentes alimentos. Nem todas as frutas e hortaliças são igualmente ricas em flavonóis.

A nutricionista Letícia do Vale Pires, do Einstein Hospital Israelita, destaca que, embora não existam recomendações oficiais específicas para a ingestão diária de flavonóis, os achados reforçam a importância de uma dieta rica e diversificada em alimentos de origem vegetal. A forma de preparo dos alimentos também pode afetar a quantidade de compostos benéficos, com cozimentos prolongados e descarte da água de preparo podendo reduzir sua concentração.

Fontes e dicas para aumentar o consumo de flavonoides

As principais fontes de flavonóis incluem chá-verde e chá-preto, cacau, maçã com casca, uvas (especialmente as roxas), pera e frutas vermelhas. Verduras, legumes e leguminosas também contêm esses compostos, mas em menores concentrações.

Para otimizar a ingestão, a recomendação é investir na variedade do cardápio, alternando o consumo de frutas e mantendo a casca sempre que possível. Incluir leguminosas como feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha e soja nas refeições é outra estratégia importante. Substituir bebidas açucaradas por chás sem açúcar e optar por chocolates com pelo menos 70% de cacau também são dicas práticas.

“Não existe um único alimento milagroso. O que faz diferença é um padrão alimentar variado e equilibrado”, ressalta Pires. A especialista sugere um cardápio que inclua maçã com casca e chá no café da manhã, frutas nos lanches, salada e feijão no almoço, uma porção de chocolate 70% cacau à tarde e salada, legumes e fruta no jantar.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Molecular Nutrition & Food Research em 2021, que realizou uma meta-análise de dose-resposta com 39 estudos prospectivos envolvendo mais de 1,5 milhão de indivíduos, associou o aumento da ingestão de flavonoides totais a um menor risco de doenças cardiovasculares (DCV). A análise indicou que o aumento do consumo de antocianinas e flavan-3-óis está inversamente associado ao risco de DCV, enquanto flavonóis e flavonas se relacionam com menor risco de doença coronariana (DC). Apenas o aumento de flavanona mostrou associação linear inversa com risco de AVC. Catequinas apresentaram efeito favorável em todos os desfechos cardiovasculares. O estudo concluiu que uma dieta rica em flavonoides pode oferecer benefícios cardiovasculares.

Outro estudo, publicado na British Journal of Nutrition em 2025, estimou a ingestão de flavonoides na população portuguesa, com base em dados de 2015-2016. A pesquisa com 5.005 participantes revelou que a ingestão total de flavonoides foi de 107,3 mg/dia, com flavanóis sendo a subclasse mais representativa. Frutas e vegetais foram os principais contribuintes, respondendo por 31,5% e 12,4% da ingestão total, respectivamente. Adolescentes apresentaram a menor ingestão total de flavonoides.

Recomendações e limitações

Apesar dos resultados promissores, a nutricionista Letícia do Vale Pires reforça que não existem recomendações oficiais para a ingestão diária de flavonóis nem indicação para suplementação. A sugestão de consumir cinco porções de frutas e hortaliças por dia, independentemente de quais sejam, continua válida.

Para indivíduos com maior risco cardiovascular, como aqueles com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade ou histórico familiar de doenças cardiovasculares, uma dieta rica em flavonoides pode ser particularmente benéfica. No entanto, é crucial ressaltar que esses alimentos não substituem o tratamento medicamentoso nem outras orientações médicas. Eles são parte de um conjunto de hábitos saudáveis que contribuem para a prevenção e o controle das doenças cardiovasculares.

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